Sociedade civil tem que engajar e assumir verdadeiramente o combate ao consumo do álcool e outras drogas – coordenador

Cidade da Praia, 01 Fev (Inforpress) – O coordenador da RENAC apelou hoje a um maior engajamento da sociedade civil no combate e prevenção ao uso do álcool e outras drogas, afirmando que as comunidades devem consciencializar-se que essa problemática precisa ser resolvida por ela mesma.

Celestino Lobo, coordenador da Rede Nacional de Coalizões Comunitárias Antidrogas(RENAC) que é também presidente da Coalizão Comunitária Integrada de Ponta d´Água, fez estas declarações à imprensa, à margem da acção de formação de Jovens Multiplicadores em Matéria de Prevenção ao uso do Álcool e outras Drogas nas Comunidades, promovida esta sexta-feira, no bairro de Ponta d´Agua, na Cidade da Praia.

No entender deste responsável, as formas de prevenção e combate desse flagelo são diversas, apontando neste sentido a importância da promoção da referida formação que envolve 15 jovens de diferentes bairros da Cidade da Praia, como forma de sensibilizá-los e alertá-los sobre os malefícios dessa problemática.

“Esta é uma formação de grupos de pares, visando capacitar os jovens para serem multiplicadores na comunidade e no meio onde residem, tendo em conta que pertencem a vários sectores. Temos estudantes universitários que podem exercer uma influência positiva nas universidades, estudantes do secundário que pertencem a outras organizações que podem nesses ambientes ser portadores de mensagens de prevenção”, afirmou, informando que a referida coalizão tem actuado nas escolas e comunidades, promovendo encontro de reflexão e sensibilizando as pessoas sobre a problemática do consumo do álcool e outras drogas.

O coordenador da RENAC congratulou-se com as iniciativas de prevenção levadas a cabo pela Comissão de Coordenação do Álcool e Outras Drogas (CCAD) tendo, entretanto, frisado que ainda existem muitos constrangimentos que considerou como “calcanhar de Aquiles”.

“Temos leis sobre menores, pais que ainda têm uma atitude que ainda permitem as crianças consumirem o álcool e outras drogas. A própria comunidade não tem estado engajada na luta contra esse flagelo, temos um conjunto de fraqueza a nível social que ainda não tem sido cumprido nessa matéria”, disse, apontando a questão da fiscalização, a própria cultura cabo-verdiana e problemas financeiros como outros factores que contribuem negativamente nessa matéria.

Para este responsável, a situação do consumo do álcool e outras drogas em Cabo Verde é crítica, daí que afirmou que a eficácia da prevenção e combate contra esse flagelo requer uma “profunda reflexão” e um debate público visando provocar uma verdadeira mudança na sociedade cabo-verdiana.

Destacando que menores estão a consumir drogas várias, o responsável sublinhou que as acções devem ser desenvolvidas principalmente nos jardins infantis e escolas, por fora a incutir nas crianças as consequências nefastas que esse mal social tem causado.

Defendeu, por outro lado, que as comunidades precisam assumir a problemática do consumo do álcool e outras drogas, “como um problema que lhe pertence” , isto porque, ajuntou, se não houver essa consciencialização não será possível conquistar resultados positivos e fazer face a esse fenómeno.

“Temos pessoas voltadas para si, e não para os problemas que afectam a sociedade. Não estou a generalizar, mas um bom número de pessoas quer saber somente da sua vida e não dos problemas comunitários. Então é preciso mudarmos essa mentalidade e a comunidade tem que procurar saber de que forma pode contribuir e se calhar, a partir daí, podemos provocar uma viragem nessa problemática”, declarou, concluindo que, tendo em conta a realidade do país, a Coalizão Comunitária Integrada de Ponta d´Agua quer expandir as suas acções de prevenção e combate para outros pontos do país.

CM/JMV

Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos