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“Sobreviventes” de VBG criam um movimento para que as vozes das vítimas sejam ouvidas

Cidade da Praia, 08 Mar (Inforpress) – Um grupo de jovens, que consideram ser sobreviventes de Violência Baseada no Género, uniram-se num movimento denominado “Obim nha voz” (escute a minha voz) para que as vozes das vítimas sejam ouvidas e assim possam ser ajudadas.

Em declarações hoje à Inforpress, uma das coordenadoras do movimento, Mónica Coelho, explicou que “Obim nha voz” surgiu após um workshop sobre “Traumas emocionais e suas consequências”, realizado em Novembro de 2018, pela Associação Cabo-verdiana de Luta Contra VBG.

Neste encontro, continuou, os membros da associação e o público compartilharam a opinião da necessidade de se dar continuidade aos debates sobre as questões de género, violência, auto-estima, amor-próprio, estereótipos à volta da mulher e de como ela é vista na sociedade e o machismo, a masculinidade exagerada e não só.

Diante disto, um grupo de jovens, alguns ex. vítimas de VBG, resolveu criar o movimento “Obim nha voz” e dar vez e voz as vitimas.

O movimento, segundo a coordenadora, está na sua fase embrionária, mas já tem criado um grupo de ajuda mútua.

Ainda, na próxima semana, avançou, vão constituir um grupo só para as vítimas e sobreviventes, em que pelo menos já há 15 pessoas interessadas, com o objectivo de partilharem os seus sentimentos, de um passado de abuso ou do presente, e para que possam ajudar uns aos outros.

Para além de intervir na comunidade, estes jovens têm estado a realizar ciclo de conversas nas escolas, abordando com os estudantes temas como a violência, namoro na adolescência, entre outros assuntos, pois, a intenção é agir na prevenção.

“Queremos prevenir as crianças de entrar num relacionamento onde podem sair lesadas, e como professora e ex. vítima, ou seja, um sobrevivente passo aos alunos sempre o meu testemunho no sentido de não se enveredarem por este caminho”, disse.

No grupo, apontou, há dois rapazes que trabalham junto dos meninos, tentando desconstruir a ideia, que muitos têm, de que as meninas são as suas propriedades.

Outra coordenadora do movimento, Suzy Fortes, realçou ainda que o movimento não pretende renuir as mulheres num evento, mas sim a ideia é ir à comunidade, e numa praça ou numa escola ou na rua, abordar as pessoas sobre vários assuntos que as afligem.

“Não é preciso que as pessoas venham ao Palácio da Cultura para assistirem um evento para debaterem e falarem, nós é que vamos ter com essas pessoas e debater com elas temas que os afectam, porque muitos não têm um espaço ou vez e voz, por isso a necessidade de se criar este movimento”, enfatizou.

O movimento, que actua na Cidade da Praia, segundo as coordenadoras, almeja chegar ao interior de Santiago e às outras ilhas de Cabo Verde, para que “todas as vozes que precisam de amor sejam ouvidas”.

Conjuntamente com os líderes comunitários e outros agentes facilitadores vão procurar a melhor forma de intervir dentro das comunidades mais violentas da Ilha de Santiago, inclusive no interior da Ilha.

AM/JMV

Inforpress/Fim

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