SÍNTESE: Síria: EUA lançam mais de meia centena de mísseis sobre base aérea em Homs

 

Washington, 07 Abr (Inforpress) – Os Estados Unidos lançaram, na noite de quinta-feira, 59 mísseis contra a base aérea síria de Shayrat, na província de Homs, matando pelo menos seis pessoas.

Este primeiro ataque directo dos Estados Unidos contra o regime de Bashar al-Assad desde que começou a guerra civil síria, há cerca de seis anos, e surgiu como resposta ao bombardeamento com armas químicas, na terça-feira, da localidade de Khan Cheikhun, na província rebelde de Idleb, durante o qual morreram pelo menos 86 pessoas.

A ofensiva ordenada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, de forma unilateral, aconteceu apesar de conversações sobre a resposta mais adequada ao ataque químico estarem ainda a decorrer no Conselho de Segurança da ONU.

Num breve discurso transmitido pela televisão depois do ataque, Trump pediu a todas as “nações civilizadas” que travem o banho de sangue na Síria e acusou “o ditador sírio Bashar al-Assad (de ter) lançado um horrível ataque com armas químicas contra civis inocentes (…) ao utilizar um agente neurotóxico mortal”.

O Presidente disse ser “do interesse vital da segurança nacional dos Estados Unidos prevenir e impedir a proliferação e utilização de armas químicas”.

Logo após o ataque ser anunciado, o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, disse que a Rússia “falhou na sua responsabilidade” de cumprir um acordo de 2013, que ajudou a fechar, para destruir o arsenal de armas químicas da Síria.

O governador da província síria de Homs, no centro do país, disse que o ataque – que atingiu a Síria já na madrugada de hoje – matou três soldados e dois civis, enquanto o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, com sede em Londres, disse que o ataque matou quatro soldados, incluindo um general. Mais tarde, o exército sírio actualizou o número de fatalidades para seis, além de “danos extensos”.

A oposição síria congratulou-se com o bombardeamento norte-americano e pediu a continuação dos bombardeamentos até à “neutralização da capacidade” do regime de lançar ataques, disse um porta-voz.

Já a Rússia, que momentos antes da ofensiva tinha advertido os Estados Unidos contra “consequências negativas” de uma acção militar na Síria, considerou este ataque “uma agressão” com um “pretexto inventado”.

O Presidente russo, Vladimir Putin, considerou “que os ataques norte-americanos na Síria são uma agressão contra um Estado soberano e uma violação do direito internacional, já que aconteceram sob um pretexto inventado”, disse à imprensa o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Putin “vê nos ataques uma intenção por parte dos Estados Unidos de desviar a atenção da comunidade internacional das múltiplas vítimas entre a população civil no Iraque”, onde as tropas norte-americanas lideram uma operação militar contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI), acrescentou o porta-voz.

A ofensiva motivou Moscovo a pedir uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, por considerar que os ataques norte-americanos constituem “uma ameaça à segurança internacional”.

Às vozes de censura juntou-se o Irão, que condenou “vigorosamente” os bombardeamentos norte-americanos.

Vários países aplaudiram a ofensiva norte-americana. Reino Unido, Israel, Arábia Saudita, Austrália, Turquia, Japão e Alemanha apoiaram a decisão de Trump, que consideraram adequada, tento em conta a gravidade do ataque de terça-feira.

Lusa/Inforpress/fim

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