Search
Generic filters
Exact matches only
Search in title
Search in content
Search in excerpt
Filter by Categories
Politica
Desporto
Economia
Sociedade
Ambiente
Cooperação
Cultura
Internacional
Destaques
Eleições

SÍNTESE: Catalunha: Madrid quer destituir governo regional e convocar eleições, Senado decide sexta-feira

 

Madrid, 21 Out (Inforpress) – O Governo espanhol propôs hoje destituir o governo da Catalunha, limitar as competências do parlamento regional e marcar eleições num prazo de seis meses, decisão que depende da aprovação pelo Senado na próxima sexta-feira, 27 de Outubro.

Em conferência de imprensa para apresentar as medidas concretas para repor a legalidade na região, após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, justificou a decisão com a “desobediência rebelde, sistemática e consciente” do Governo regional (Generalitat).

Mariano Rajoy realçou que a autonomia catalã “não é suspensa” e o parlamento regional continua a funcionar até à marcação das eleições regionais.

“O objectivo é celebrar eleições e abrir uma nova etapa” na Catalunha, resumiu.

A intervenção do Estado espanhol na Catalunha prevê também que Madrid passe a controlar directamente a polícia e a televisão regionais, que considera estarem nas mãos dos movimentos separatistas.

O Senado anunciou, entretanto, que o presidente do governo catalão, Carles Puigdemont, poderá comparecer entre terça e quinta-feira da próxima semana perante o Senado espanhol para expor as suas alegações face à aplicação do artigo 155.º da Constituição, segundo o calendário aprovado pela mesa da câmara alta.

Numa conferência de imprensa após a reunião da mesa, o vice-presidente do Senado, Pedro Sanz, confirmou que o plenário extraordinário, no qual esta câmara deverá ratificar as decisões do Governo espanhol por maioria absoluta, se realizará na próxima sexta-feira, pelas 10:00 (08:00 em  Cabo erde).

O presidente do governo regional da Catalunha (Generalitat) ainda não se pronunciou sobre o anúncio do Governo de Madrid, devendo fazê-lo numa declaração hoje às 21:00 (20:00 em Lisboa), mas o vice-presidente, Oriol Junqueras, classificou-a como “totalitarismo” e apelou à defesa da “democracia e dos direitos civis e políticos”.

“Perante o totalitarismo, hoje mais do que nunca, defendamos a democracia e os direitos civis e políticos. Aí nos encontraremos!”, escreveu Oriol, na sua conta de Twitter.

Uma grande manifestação às 17:00 (14:00 de Cabo Verde) em Barcelona para reclamar a libertação de dois líderes separatistas acusados de sedição pelo Ministério Público contará com a participação de Puigdemont e deverá ser aproveitada pelo movimento separatista para manifestar a sua oposição às medidas avançadas pelo Governo espanhol.

Nas reacções ao anúncio de Rajoy, o seu Partido Popular (PP) pediu aos espanhóis que confiem na actuação do Governo, que está “carregado de razão” ao ter decidido aplicar o artigo 155.º da Constituição.

O secretário-geral do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, que apoia o Governo e acordou a decisão hoje anunciada, afirmou que o projecto de “secessionismo é o ‘Brexit’ da Catalunha”, acusando os independentistas de querem “destruir 40 anos de auto-governo”.

O presidente do partido espanhol Cidadãos, Albert Rivera, que também apoia o executivo de Madrid, defendeu a necessidade de “aplicar a Constituição” para “proteger os catalães” e “restituir a convivência, a estabilidade económica, a segurança política e cidadã”. O responsável apontou a data de 28 de Janeiro para a realização das eleições autonómicas.

Já o secretário para a Organização do Podemos, Pablo Echenique, disse hoje que o partido está “em choque” perante “a suspensão da democracia na Catalunha”, afirmando-se convicto que esta região “continuará a fazer parte de Espanha”, enquanto o secretário-geral desta formação, Pablo Iglesias, considerou que o Governo espanhol e os partidos que apoiaram a aplicação do artigo 155.º da Constituição demonstraram “incapacidade para oferecer soluções” e afastam “ainda mais a Catalunha de Espanha”.

Entre os partidos independentistas, a secretária-geral da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), um dos partidos que apoia o governo catalão, classificou hoje de “golpe de Estado” a decisão de Madrid de assumir a gestão corrente do executivo regional, enquanto a Candidatura de Unidade Popular (CUP) declarou que a Catalunha está a ser alvo de uma intervenção, mas não está vencida, rejeitando recuar na luta pela independência da região.

A Generalitat organizou e realizou em 01 de Outubro último um referendo de autodeterminação, que foi considerado ilegal pelo Tribunal Constitucional, que também recusou todo o processo que levou à consulta popular.

Segundo o Governo regional, o “sim” à independência ganhou com 90% dos votos dos 43% dos eleitores que foram votar, tendo aqueles que não concordam com a independência da região boicotado a ida às urnas.

Lusa/fim

 

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos