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Sindicalista inicia greve de fome para protestar contra “injustiça e abuso de poder”  

Cidade da Praia, 26 Jun (Inforpress) – O sindicalista José Manuel Vaz iniciou hoje uma greve fome em frente ao Palácio da Justiça, por tempo indeterminado, para segundo justificou, lutar contra a “injustiça e o abuso de poder” reinante em Cabo Verde.

Esse acto extremo de protesto foi iniciado depois de José Manuel Vaz, presidente da Confederação Cabo-verdiana dos Sindicatos Livres (CCSL), faltar a uma audiência no Tribunal da Comarca da Praia para a qual estava convocada na qualidade arguido.

Conforme explicou, no dia 16 de Junho recebeu uma notificação de um despacho datado de 30 de Maio para comparecer no 3º Juízo Civil do Tribunal Judicial da Comarca da Praia, hoje, 26 de Junho, pelas 08:00, para audiência de discussão e julgamento do arguido José Manuel Vaz.

Contudo, adiantou que a nota não indicava o motivo da queixa, nem o nome do queixoso, pelo que declinou a comparecer perante o juiz.

“Eu, como cidadão, tenho o direito de saber quem apresentou queixa contra a minha pessoa, quais são as razões e o conteúdo da queixa. Portanto, nessas condições, não sei o que é que tem montado lá dentro e não posso comparecer no tribunal”, explicou em conversa com a Inforpress, em frente ao Palácio da Justiça, onde se encontra acompanhado da esposa.

Para além de não comparecer perante o juiz, José Manuel Vaz deu início a uma greve de fome, por tempo indeterminado, como forma de protesto contra aquilo que chama de “injustiça e abuso de poder”, que, nas suas palavras, está a ser verificado em Cabo Verde.

“Há muita injustiça, muito abuso de poder. Não posso compactuar com essa situação”, disse adiantando que tudo que está a fazer é na qualidade de cidadão José Manuel Vaz.

“Eu não matei ninguém, não roubei ninguém, não vendo drogas, não fiz tráfico de crianças, não faço violação, de forma que eu não posso ser constituído arguido num processo em que não sei a acusação”, salientou.

José Manuel Vaz supõe que esta notificação pode estar relacionada com um caso que o envolve, enquanto sindicalista, com o ex-ministro da Justiça, José Carlos Correia, actualmente procurador da República.

Contudo, considera que a ser este o caso ele teria de ser chamado para as barras do tribunal na qualidade de presidente da CCSL e não na qualidade do cidadão José Manuel Vaz.

Apesar de estar ciente que uma greve fome não resolverá o problema da justiça, salientou que é preciso dar um sinal para a sociedade cabo-verdiana de que não se pode compactuar mais com o tipo de justiça que existe em Cabo Verde.

“E essa justiça que temos em Cabo Verde não funciona ou funciona em função da cara das pessoas, ou da cor das pessoas e isso não é justo. Por acaso, tenho um processo de crime desde 2008. Passados 10 anos ainda não fui notificado. Essas queixas disseram que foram do ano passado e já marcaram o julgamento”, anotou fazendo alusão a outras queixas dos trabalhadores depositadas há vários anos sem andamento.

A greve de fome, segundo adiantou, vai prolongar-se até que seja posto o fim de “práticas de abuso de poder, actos de perseguição e tentativa de intimidação e de injustiça” e que seja reconhecida e posto em prática o princípio da liberdade sindical e não ingerência e intromissão dos poderes públicos nos assuntos internos sindicais em Cabo Verde.

MJB/CP

Inforpress/fim

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