SIACSA promove em Janeiro três novas manifestações contra actualização salarial de 2,2% na Enapor (c/áudio)

Cidade da Praia, 26 Dez (Inforpress) – O Sindicato de Indústria, Alimentação, Construção Civil e Afins (SIACSA) está a preparar três novas manifestações, na Praia, Sal e Fogo, para protestar contra a actualização salarial de 2,2% na Empresa Nacional de Portos (Enapor).

A informação foi adiantada à Inforpress pelo presidente Gilberto Lima, que explicou que o reajuste salarial decidido já pelo Conselho de Administração da Empresa não foi discutido com os sindicatos.

“O aumento salarial de 2,2% decidido pelo Conselho de Concertação Social foi para a Administração Pública, mas para as empresas a lei impõe a negociação com os sindicatos e o aumento deve ser de acordo com a produtividade das empresas. A Enapor teve lucro três ou quatro vezes maior do que nos anos anteriores e claro que esse aumento é inadmissível”, explicou.

Neste sentido indicou que a proposta do Sindicato, depois de ouvido os trabalhadores, é de a empresa aplicar o aumento salarial de 2,2% acrescidos de mais 3,9%, totalizando os 5,9% de aumento salarial.

“Nós fizemos as contas com base nas perdas do poder de compra nos últimos três anos e também com base nos resultados da empresa. Mas poderemos sentar à mesa, negociar e encontrar um valor entre 4 e 5%”, precisou, adiantado que isto daria alguma satisfação aos trabalhadores.

Para além do reajuste salarial, os trabalhadores, segundo Gilberto Lima, estão a exigir também maior dignidade e respeito.

Uma primeira manifestação, envolvendo estivadores, foi realizada no dia 18 em São Vicente e Gilberto Lima prevê para início de Janeiro a realização, em simultâneo, da manifestação pacífica na Praia, no Sal e no Fogo.

“O sindicato não vai exigir que as empresas que não estejam em condições de aumentar salários o façam. O importante agora é ver a produtividade da empresa, a perda do poder de compra dos trabalhadores e sentar na mesa para negociar e ter a ideia do montante justo”, disse, frisando que esta é uma situação que não se verifica apenas na Enapor.

Na altura da realização da manifestação de São Vicente, a administração da empresa considerou que “não se verificam” motivos que justificassem a manifestação pacífica dos estivadores, apesar de “reconhecer o direito” dos trabalhadores à manifestação e “respeitar” o seu exercício.

A empresa reafirmou, através de um comunicado, “total abertura” em resolver em sede própria, e em “estreita colaboração” com os parceiros, as questões relacionadas com o dia-a-dia da empresa, mas, pontifica, “sempre norteada” pelos princípios do “respeito mútuo, boa-fé e colaboração institucional”.

A Enapor esclareceu que o ajuste de 2,2 por cento (%) resultou de uma decisão do Governo, saída do último Conselho de Concertação Social, tendo a empresa acordado a sua aplicação para o ano de 2019.


MJB/ZS

Inforpress/fim

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