Ser engenheira é um privilégio porque é uma profissão que escolhi por paixão e que combina comigo- Emília Tavares

Cidade da Praia, 23 Jun (Inforpress) – A engenheira informática Emília Tavares considera-se uma mulher realizada na escolha da profissão e sortuda por tido o apoio da família quando decidiu, há alguns anos, deixar a paixão pelas ciências exactas falar mais alto.

Emília Tavares é natural do concelho de Santa Catarina de Santiago, mas foi na Cidade da Praia, na Universidade Jean Piaget, que se formou em engenheira informática e que há 14 anos escolheu partilhar os seus conhecimentos com os alunos da referida universidade.

“Sou a penúltima filha dos 16 filhos do meu pai, e o que acabou por influenciar muito na escolha do meu curso é que tenho mais irmãos do que irmãs. Cresci numa casa com muitos homens, eles nunca me limitaram, pelo contrário, tive o apoio do meu pai, os meus irmãos me incentivaram”, afirmou.

Desempenha neste momento as funções de directora de Ensino à Distância e directora do Centro de Inovação e Sustentabilidade da Uni-Piaget e declara que sempre foi uma aluna apaixonada por Matemática e que, no entanto, os planos inicialmente era formar-se em Engenharia Civil.

“A minha primeira opção de matrícula foi em Construção Civil, depois quando comecei as aulas troquei o curso e matriculei-me na Engenharia de Sistema Informático porque naquela altura em Cabo Verde a Informática estava a dar os primeiros passos e estar nessa área pareceu-me muito interessante”, afirmou.

Emília Tavares afirmou que não se sentiu “discriminada” ao longo da sua carreira como engenheira, mas que se sentiu sozinha, isto porque, reforçou, é a única mulher engenheira na Universidade Jean Piaget, trabalhou todos esses anos somente com colegas homens e isso fez com que se adaptasse para assim ter opiniões sobre os vários temas que os homens gostam de debater para não se sentir excluída.

Para esta responsável, é importante cada vez mais que padrões sejam rompidos relativamente à entrada de mulheres nas áreas predominantemente masculina, afirmando que as mulheres são livres para escolherem o curso que quiserem.

“Temos o livre arbítrio de escolher o que queremos, não por estigma sociais ou imposições, é uma data que deve ser celebrada em grande, mas não com um perspectiva de mostrar que a mulher é melhor do que o homem, mas sim porque a mulher e o homem ocupam o mesmo lugar na sociedade”, declarou

No entanto, realçou, as mulheres enfrentam vários desafios ao ingressarem no mercado de trabalho pelo simples facto de ser mulher e que quando passam pelo processo de maternidade ficam em desvantagem em relação ao homem.

Considerou, neste sentido, que essa situação muitas vezes acaba por influenciar as mulheres na escolha de profissão onde elas não têm a necessidade de estarem a provar que tem esta capacidade, isto comparativamente aos homens.

“Há desafios como a necessidade de estar sempre a provar perante um homem de que é capaz. Infelizmente ainda temos uma sociedade cabo-verdiana bastante machista em que a mulher precisa sempre provar, demonstrar que tem valor e que consegue, mas acredito que com o tempo chegaremos lá, onde não será preciso esse braço de ferro com os homens”, declarou.

Apontou que empregos nas áreas da engenharia irão dominar os avanços económicos nas próximas décadas e que a referida profissão é uma área de futuro para as mulheres porque é uma área que sempre será necessária.

Disse ainda que as mulheres na Engenharia terão de tirar o maior proveito, utilizando as tecnologias, propondo solução, sendo voz activa, realçando que actualmente as ferramentas são iguais para as mulheres em todas as partes do mundo, porque as tecnologias abriram as barreiras, colocando as mulheres engenheiras em pé de igualdade com qualquer profissional em qualquer parte do mundo.

“Toda a profissão exige esforço. A mulher tem de pensar fora da caixa e sinceramente para mim é um privilégio ser engenheira, porque é uma área muito prática com várias oportunidades que permitem criar e,  a mensagem que queria deixar para aquelas que pretendem seguir este o caminho é para não sentirem medo porque o céu é o limite”, concluiu.

O Dia Internacional das Mulheres na Engenharia é comemorado anualmente em 23 de Junho. A data foi criada pela Women’s Engineering Society (WES), que foi fundada por um pequeno grupo de engenheiras em Londres em junho de 1919 – um século atrás.

A efeméride tem como objectivo fortalecer o espaço que as engenheiras vêm ganhando na profissão, antes maioritariamente ocupada por homens.

CM/JMV
Inforpress/Fim.

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