Segurança é uma das questões que deveria ser tratada como matéria de regime – grupo parlamentar do PAICV

 

Cidade da Praia, 27 Jun (Inforpress) – A segurança é uma daquelas questões que deveria merecer um entendimento nacional e tratada como uma matéria de regime e estar fora das tentações de politização ou partidarização, disse o PAICV em declaração política feita hoje no Parlamento.

“É um dado assente que o Estado não tem conseguido garantir esse bem fundamental (segurança) para as pessoas no seu quotidiano”, admitiu o vice-presidente do grupo parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde, Rui Semedo, para quem cada dia que passa as pessoas “aumentam a sua percepção de uma impotência grave perante a investida, cada vez mais ousada, daqueles que elegeram a criminalidade como modo de estar”.

Rui Semedo garantiu que o seu partido está disposto a unir-se ao Governo na luta contra a criminalidade que, segundo ele, “vem crescendo e que parece fugir ao limite do normalmente aceitável”.

“Sempre dissemos, mas isso não impediu que o MpD (Movimento para a Democracia) elegesse este tema (segurança) como matéria de despique político, tanto na oposição como, estranhamente, na situação”, lamentou o porta-voz do grupo parlamentar do PAICV, que acusou o MpD de “procurar tirar ganhos e dividendos políticos efémeros, numa questão que tem provocado tanta dor, angústia, frustração e desespero”.

O deputado do PAICV reconheceu, porém, que a problemática de criminalidade no país “vem de longe”.

“Nos últimos tempos, tivemos factos que não deixam ninguém indiferente, como assaltos a bancos, em plena luz do dia e com um modus operandi que nos transporta para cenas só vistas em películas de ficções no mundo do cinema”, acentuou o grupo parlamentar do PAICV, acrescentando que tem “falhado” as políticas do Governo em matéria de segurança.

A deputada Joana Rosa, eleita nas listas do MpD, reagiu de pronto à declaração política do PAICV, dizendo que a problemática de insegurança “não se consegue combater de um dia para outro”.

Para a parlamentar do MpD, “não tem faltado medidas de políticas” para o combate contra a criminalidade.

Na perspectiva de Joana Rosa, não é possível convencer a sociedade cabo-verdiana que a insegurança que hoje existe é mais do aquela que o país viveu num passado recente.

“Os dados que o país tem dizem-nos o contrário. Claro que tem havido agora um pique”, reconheceu a deputada do partido que suporta o Governo no Parlamento, apontando dedo ao Governo do PAICV que, segundo ela, ao longo dos 15 anos não se preocupou com o sistema de reinserção social.

Conforme fez notar, “alarmar” o país em matéria de insegurança “não deixa de ser politiquice”.

“O ambiente propício para a insegurança foram vocês que o criaram”, concluiu Joana Rosa, numa referência ao Governo do PAICV.

Por sua vez, o deputado Walter Évora (PAICV) perguntou à sua colega do MpD se é politiquice levar a questão da criminalidade ao Parlamento quando os turistas são assaltados em plena luz do dia.

Quem também entrou nesse debate foi a deputada do MpD Filomena Gonçalves que desafiou o PAICV a juntar-se ao Governo na luta contra a criminalidade.

“Este Governo, com o apoio de todos os cabo-verdianos, conseguirá devolver a paz social e trazer morabeza cabo-verdiana ao país”, enfatizou.

A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID-oposição), na voz do seu deputado João Santos Luís, considera que a situação de segurança no país é “grave”.

Pediu ao executivo de Ulisses Correia e Silva para tudo fazer com vista a dar a paz aos cabo-verdianos e aos turistas que visitam estas ilhas.

“Não podemos dormir sossegados, quando acontecem cenas iguais aquelas que se registaram na ilha da Boa Vista”, precisou o deputado eleito nas listas dos democratas cristãos, referindo ao caso de turistas assaltados na “ilha das dunas” em pleno dia por indivíduos encapuzados.

Apelou ao Governo a dar continuidade ao processo de desarmamento das pessoas antes iniciado pelo executivo anterior.

“Não é normal um cidadão estar com armas nas mãos para fazer o que bem entender ao seu colega ao lado”, finalizou João Santos Luís.

Na sequência da declaração política do PAICV, o ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, deslocou-se ao Parlamento para, de um lado, “saudar” a abertura do principal partido da oposição para um “consenso na procura de soluções em matéria de segurança” e, por outro, manifestar a sua disponibilidade para explicar aos deputados sobre o que está a ser feito no domínio do combate contra a criminalidade no país.

“No próximo dia 06 (de Julho) aprovaremos em Conselho de Ministros o Programa Nacional de Segurança Interna e Cidadania”, anunciou o ministro da Administração Interna, para quem as respostas dadas pelos tribunais são “insuficientes ou desfasadas” das exigências da actual sociedade cabo-verdiana.

LC/FP

Inforpress/Fim

 

 

 

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos