Sector privado continua a enfrentar problemas de financiamento devido ao sobre endividamento do país – PAICV

 

Cidade da Praia, 30 Dez (Inforpress) – O Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) defende que o sector privado continua a enfrentar problemas de financiamento, uma vez que tem havido “sobre endividamento” do país.

A apreciação é da presidente Janira Hopffer Almada, numa conferência de imprensa realizada nesta sexta feira, 29, na Cidade da Praia, para fazer o balanço do ano político de 2017 e  perspectivar o de 2018.

Segundo a líder da oposição,  apesar dos “compromissos assumidos”, dos “anúncios feitos”, o sector privado continuou a enfrentar problemas de financiamento, nomeadamente de dimensão do mercado, da falta de mão-de-obra especializada e de outros sectores de incentivos “efectivos reais”.

“E o Instituto Nacional de   Estatística acaba de anunciar, no inquérito às empresas, do ano transacto, uma baixa no volume de negócios e no número de empregados, na Ilha de Santiago”, justificou.

E neste âmbito, acrescentou que 2017 foi também marcado pelo sobre endividamento do país, depois de ter prometido diminuir a dívida pública, fazendo, juntou, o Governo tomar a decisão e “apostar no endividamento interno”.

“Aumentou o stock da divida pública para 132,2% e banalizou os avales e garantias que, a prazo, tornam maior o risco do aumento da dívida”, explicou.

E, por isso, o PAICV lembra ao Governo que todo esse processo levou o Grupo de Apoio Orçamental (GAO) a alertar Cabo Verde para o risco do sobre endividamento.

Ao fazer o balanço de 2017, Janira Hopffer Almada apontou “factos relevantes”, como “o desmantelamento dos TACV”, a “violação sistemática” das leis, a “sonegação de informações” ao país, ao Parlamento e à oposição e a “sofisticação da criminalidade”.

O surto “estranho e inexplicável” do paludismo, a greve dos agentes policiais, “facto inédito e muito preocupante” e uma “estranha” remodelação governamental, foram outros factos citados pela líder da oposição.

Janira Hopffer Almada sublinhou, igualmente, que o ano de 2017 foi marcado pela “quebra geral de compromissos” e pela “falha profunda” na materialização das promessas assumidas pelo MpD e pelo Governo nas campanhas eleitorais e no programa governativo do partido no poder.

“Quase dois anos se passaram, desde a tomada de posse deste Governo, para além da situação do país não se registaram melhorias, a condição de vida de grande parte das pessoas está a degradar-se, de dia para dia”, notou.

Por isso, considerou que o ano que está a findar foi “particularmente difícil” para o país e para os cabo-verdianos, pelos impactos da seca e do mau ano agrícola, assim como por sinais de um “grande desnorte” na governação.

“Por fim, mas não menos importante, a falta de diálogo e a instabilidade nas relações laborais, acabaram por marcar negativamente o ano de 2017, tendo provocado alguma tensão e muita insegurança nos trabalhadores que temem pelo seu posto de trabalho”, conclui.

OM/AA

Inforpress/Fim

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