Sector Informal: Francisco Carvalho quer processo de formalização numa perspectiva “de parceria e não de extinção”

Cidade da Praia, 25 Jul (Inforpress) – O presidente da Câmara Municipal da Praia, Francisco Carvalho, defendeu hoje um processo de formalização do sector informal que seja de “parceria e inclusivo” e “não de mero combate” à informalidade com carácter de “desvalorização e extinção”.

O autarca, que falava na abertura do fórum internacional sobre “Mercados informais: impactos e complexidade do social”, promovido pela Câmara Municipal da Praia, disse que actual equipa por ele liderada, assumiu um papel de parceiro, fazendo uma viragem em relação à abordagem encontrada que era de perseguição e extinção do sector informal.

Por isso, justificou a realização deste fórum internacional, que, afirmou, inscreve pela primeira vez a temática dos mercados informais na agenda política e técnica da Câmara Municipal da Praia.

“A realização deste fórum é um sinal da importância que atribuímos a todo o sector informal, à questão da informalidade e consequentemente ao processo de formalização.  É do conhecimento comum o quanto o sector informal é amplo e diverso na nossa sociedade o que tem a ver directamente com o nosso estado de desenvolvimento”, salientou.

Francisco Carvalho sublinhou a “enorme pujança” que caracteriza todo o sector informal, a ponto de ser considerado “por muitos como sendo o sector mais pujante” da economia cabo-verdiana, com ramificações nas mais diversas áreas do dia a dia do cabo-verdiano.

“Os dados do INE apontam que 52% dos empregos em Cabo Verde encontram-se no sector informal, são dados estatísticas que demonstram, que comprovam   que estamos perante o sector mais pujante da economia deste país desta sociedade”, sustentou.

Neste sentido, adiantou igualmente que a realização do fórum representa um passo na sensibilização e na chamada de atenção da sociedade em geral para a importância do sector informal, e, também, para o processo de formalização.

“Nós defendemos um processo de formalização que seja de parceria, de caminhar lado a lado e não um mero processo de combate à informalidade com carácter de extinção, e enquadrado numa perspectiva negativa e desvalorizante de todo o sector informal”, apontou.

“Nós queremos promover sim uma formalização do sector informal, mas não uma formalização à força, à martelo. É uma formalização gradual, compreensiva, inclusiva e que sim, garanta que o sector pujante continue a funcionar e a crescer”, argumentou.

O fórum internacional sobre “Mercados informais: impactos e complexidade social” reúne agentes do sector informal, organizações da sociedade civil, organismos internacionais e especialistas, estudiosos e acadêmicos para uma reflexão sobre o assunto com enfoque nos mercados informais e com maior destaque sobre o Mercado Sucupira, considerado o maior mercado informal do município.

Sistemas de financiamento da economia informal, mutualismo e protecção, experiências imigratórias em Cabo Verde e inserção em mercados locais: uma análise a partir da sucupira, feiras na África Ocidental: metáfora e performance e lugares de produção e transformação de identidade e imagens do mundo são alguns temas que vão debatidos no evento, em que será apresentado também um estudo sobre perfil, trajectória e impacto socio-económico do Mercado da Sucupira.

MJB/AA

Inforpress/Fim

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