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Sector das pescas recebe menos do Governo do que dá ao país – economista

 

Cidade da Praia, 14 Jul (Inforpress) – O economista João Baptista afirmou hoje que a pesca dá a Cabo Verde mais do que recebe do Governo, apesar dos sucessivos executivos terem reconhecido a sua importância para o desenvolvimento do país.

João Baptista defendeu e ideia na apresentação do tema “Sustentabilidade dos recursos do mar: questões institucionais e plaidoyer (advocacia)”, durante um ateliê para discussão da “boa governança das pescas”, promovido pela Associação para a Defesa do Ambiente e Desenvolvimento (ADAD), na Cidade da Praia, e destinado aos deputados e outros parceiros.

“O que a pesca dá para o país não é o que a pesca recebe por parte do Governo”, frisou, sublinhando que a pesca é um sector “importante” em Cabo Verde, mas que, às vezes, muitas não têm este entendimento, lembrando que “mais de 80% de produtos que Cabo Verde exporta vem do sector da pesca”.

Segundo João Baptista, apesar dessa importância, “não existe uma advocacia” junto do Governo como forma de ter mais orçamento para investimento no sector, assim como existe na área do turismo, resultando em uma “grande atenção política”, o que acaba por gerar “falta de equidade orçamental entre os diferentes sectores”.

O sector da pesca, conforme ele, tem a capacidade de desenvolver o país, por causa do seu “efeito de encadeamento”, ou seja, consegue “arrastar” outros sectores, como comércio ou a indústria e, ainda, gerar emprego, entretanto notou que é algo que “não tem reflectido como prioridade no orçamento de Estado”.

Para o economista, por causa disso, a pesca ainda continua com alguns “problemas estruturais” que tem a ver com a “não valorização da profissão”, visto que hoje muitos jovens estão no desemprego, mas não vêem o sector da pesca como uma opção de criação de emprego por causa da “pouca valorização social”.

“A pesca em Cabo Verde tem outras limitações, como por exemplo a oportunidade da formação, porque não há cursos nas universidades associados à tecnologia da pesca, ou ao processamento de produtos de pesca, ou seja, é um sector estratégico, mas não se traduz numa política muito mais coerente”, sustentou.

Como exemplo, João Baptista constatou que entre 2010 e 2013, Cabo Verde aumentou a importação de produtos de pesca em mais de 100% em montante que ultrapassa os 100 milhões de contos, argumentando que devia haver “mais capacidade interna em aproveitar os nossos recursos pesqueiros”, já que nos supermercados não encontramos produtos nacionais.

O encontro de hoje aconteceu no âmbito das actividades do projecto sub-regional para a Promoção da Governança Política de Gestão dos Recursos Marinhos e Redução da Pobreza na Eco-Região Wamer (Go-Wamer).

A Eco-Região Wamer, que reúne vários países, nomeadamente Cabo Verde, Mauritânia, Senegal, Gâmbia, Guiné-Bissau, Guiné e Serra Leoa, conta com financiamento da União Europeia e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que a sua execução em Cabo Verde está a cargo do Governo e seus parceiros, como por exemplo a ADAD.

Com carácter regional, o Go-Wamer tem por objectivo contribuir para reduzir a pobreza e reforçar a segurança alimentar das comunidades costeiras e da Eco-Região Wamer (West African Marine Ecoregion), através de medidas para melhorar a governação e adoptar boas práticas em matéria de utilização sustentável e durável dos recursos marinhos e costeiros na Eco-região Wamer.

DR

Inforpress/Fim

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