Secretário-geral do PAICV acha “normal” militantes candidatarem-se à liderança do partido

Cidade da Praia, 21 Ago (Inforpress) – O secretário-geral do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) afirmou hoje ser “normal” que militantes se candidatem à liderança do partido, tendo em conta o sistema democrático existente internamente.

“É um sinal normal porque mostra a vitalidade do partido, qualquer militante em pleno gozo dos seus direitos pode apresentar a sua candidatura aos órgãos do PAICV”, reforçou Julião Varela.

“É neste quadro que vimos esta candidatura (de José Sanches) ”, disse, negando que o seu partido esteja fraccionado.

Na sua perspectiva, a disputa interna no seio do partido é “sinal de vitalidade democrática” e significa, prosseguiu, que “há várias alternativas a nível interno”.

Julião Varela fez essas considerações à margem da conferência de imprensa que convocou para dar a conhecer a posição do PAICV sobre as últimas decisões do Governo no concernente aos transportes marítimos e aéreos.

Segundo o dirigente do maior partido da oposição, é com base nas ideias que uns e outros vão apresentar é que os militantes irão escolher quem deverá liderar o PAICV nos próximos tempos.

Instado se o PAICV não corre o risco de se apresentar fraccionado às próximas eleições (autárquicas 2020) respondeu que não.

“O que temos são pessoas com opções e ideias diferentes, que são discutidas nos diferentes órgãos no sentido de procurarmos os consensos”, lançou Varela, acrescentando ser “absolutamente normal” que no seio do PAICV haja “vozes discordantes” em relação a esta ou aquela matéria.

“O fundamental é que, em relação às questões de governação, o partido tenha uma orientação única”, indicou a mesma fonte, indicando que o importante é haver diálogo para que as partes cheguem um consenso.

O deputado José Sanches anuncia esta quinta-feira, 22, a sua candidatura à liderança do PAICV na eleição directa de Janeiro, com foco na “mudança do rumo das ilhas”.

“É neste contexto de enormes desafios e imperiosa necessidade de repensar os caminhos do futuro, que, com responsabilidade e ponderação, enquanto militante comprometido com as mais nobres causas do PAICV, tomei a iniciativa de promover uma jornada de auscultação aos militantes, visando a construção de uma ampla plataforma alternativa à liderança do PAICV”, declarou.

Numa carta aberta endereçada aos militantes e simpatizantes do PAICV, publicada na sua página do Facebook, o deputado eleito pelo círculo eleitoral de Santiago Norte justifica que volvidos três anos na oposição o seu partido “não tem dado sinais de vitalidade, atractividade e de confiança”, salientando que a sua candidatura visa recuperar a “vitalidade” do PAICV.

“Não se está a conseguir mobilizar os cabo-verdianos e capitalizar o seu descontentamento em relação à governação do Movimento para Democracia (MpD, no poder), a ponto de provocar a mudança de rumo que o povo das ilhas reclama”, apontou.

Na carta lê-se que, neste momento, “a maioria dos cabo-verdianos”, no país e na diáspora, avalia “negativamente” a governação do MpD que, segundo a mesma fonte, se demitiu das suas responsabilidades de socorrer as famílias fustigadas por dois anos consecutivos de seca e pelo desemprego.

LC/WM//AA

Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos