Seca e mau ano agrícola constituem oportunidade para se repensar o desenvolvimento rural em Cabo Verde – Jacinto Santos

 

Cidade da Praia, 14 Nov (Inforpress) – O presidente da Plataforma das Organizações Não-Governamentais, Jacinto Santos, defende que a seca e o mau agrícola que assolaram o país este ano constitui uma oportunidade para se repensar o desenvolvimento rural em Cabo Verde.

Jacinto Santos fez estas declarações num “post” que colocou esta segunda-feira, 13, na sua página do Facebook.

Segundo ele, o último recenseamento agrícola de 2015 registou 45.399 explorações agrícolas familiares, sendo 85,3% pecuária; 73,4% sequeiro e 18% regadio.

“O que fazer com 65,3% da população que vive no espaço rural num cenário de antes de chover os Governos são obrigados a conceber planos de emergência com efeitos na agenda da governação?”, interroga-se o recém-eleito presidente da Plataforma das ONG de Cabo Verde, para quem o país “não pode regressar às FAIMO (Frentes de Alta Intensidade de Mão-de-obra) ou de realização de obras sociais para garantir a sobrevivência das famílias”.

Para ele, num país que não chove “parece consensual a necessidade de mudança estrutural da política agrária e do desenvolvimento rural do país”.

O Governo anunciou recentemente a implementação de um plano de emergência de salvamento de gado e de mitigação da seca num montante de 880 mil contos, tendo em conta o mau ano agrícola.

Este dinheiro, de acordo com o executivo, deve socorrer cerca de 17.200 famílias, das quais 62% localizadas no mundo rural, que serão directamente afectadas pela seca.

De entre as medidas previstas neste plano constam acções direccionadas para o salvamento do gado, gestão adequada dos recursos hídricos, bem como a criação de oportunidades de emprego para as famílias que não vão poder usufruir de nenhuma produção agrícola.

Ainda no quadro das medidas para fazer face ao mau ano agrícola, o Conselho de Ministros aprovou o projecto de proposta de lei que institui o regime especial de benefícios fiscais na importação de todos os alimentos e pastos para os animais, medicamentos veterinários e materiais para a faina agrícola.

Também foi aprovada a resolução que cria uma linha de crédito de emergência para os agricultores e criadores de gado. Esta linha de crédito, no montante de 50 mil contos, deve ser gerida pelas instituições de microfinanças através de um protocolo que o Governo vai assinar com estas organizações.

LC/CP

Inforpress/Fim

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