“Se os preços continuam a subir vamos focalizar as medidas nas pessoas mais carenciadas” – Governo (c/áudio)

Achada Igreja, 15 Jun (Inforpress) – O ministro da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social avisou hoje em Achada Igreja, São Salvador do Mundo (ilha de Santiago), que se os preços continuarem a subir o Governo vai focalizar as medidas nas pessoas mais carenciadas.

Fernando Elísio Freire falava, em representação do Governo, na abertura da IX Assembleia-geral das Caritas Cabo-verdiana (CCV), que decorre de hoje a sexta-feira, 17, e dos seus 45 anos de existência (1976-2022) assinalados sob o lema “Cáritas Cabo-verdiana: Mais de 45 anos a contribuir para restaurar a dignidade humana”.

“Temos tomado um conjunto de medidas, mas, não vamos aguentar isso por muito mais tempo. Por exemplo, o gás não sobe por acção directa do Governo que é imposto de todos os cabo-verdianos, mas não sobe para mim e não sobe para pessoas que não têm, por vezes, as três refeições diárias”, admitiu, avisando que vai chegar o dia em que o Governo e o Estado vão ter que optar.

“E aqui, a opção é clara. Se esta situação continuar por uma crise inflacionária e se os preços continuam a subir vamos ter que focalizar as medidas nas pessoas mais carenciadas. Se o gás não tem que subir e não suba para aqueles que têm menos posse e se a electricidade não tem que subir e não suba para aqueles que têm menos posse”, avisou o também ministro do Estado.

Ou seja, aclarou, caso o Governo tiver que desligar os mecanismos de fixação de preços vai ser direccionado para as pessoas com menos posses, sustentando que tal opção tem como propósito fazer com que o País tenha algum equilíbrio.

“Até hoje ainda estamos a aguentar, mas se isso continuar não será fácil aguentar as mesmas medidas de uma forma abstracta para toda a população. É preciso fazer escolhas ou serão precisas escolhas, e a nossa escolha já está decidida (…)”, reiterou o ministro.

“Como dizemos sempre, a pandemia afecta todos e quase que de uma forma indiscriminada e de uma forma igual, mas a inflação e esta guerra não, estas afectam sobretudo os mais frágeis e os mais vulneráveis, e é por isso que temos que ter uma atenção muito especial para essa faixa da população”, reforçou.

E é neste quadro que lembrou que o Executivo liderado por Ulisses Correia e Silva tem tomado um conjunto de medidas com um esforço financeiro muito forte do Estado de Cabo Verde.

“Nós para conseguirmos combater e mitigar os efeitos da crise sobre a população cabo-verdiana serão necessários cerca de cinco milhões de contos para podermos aguentar que o preço do gás, do óleo, do milho, do trigo, do arroz e do feijão não subam mais, para mantermos que os combustíveis e a electricidade subam até o máximo de três por centro (%)”, adiantou.

Tal montante, segundo ele vai servir ainda para suspender os mecanismos de fixação dos preços de produtos petrolíferos, para acudir mais de 30.000 famílias na fase três da insegurança alimentar, para criar emprego e dar rendimento às pessoas e para aumentar a pensão social mínima de cerca de três mil e quinhentos pessoas com mais de 65 anos, cujos processos estão pendentes.

Por fim, Fernando Elísio Freire reafirmou que tais medidas visam manter a sociedade cabo-verdiana equilibrada, sobretudo neste momento, que considerou “difícil”.

FM/ZS

Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos