Líder do MpD avisa militantes que se o partido não ganhar as legislativas perderá também as presidenciais

Cidade da Praia, 05 Dez (Inforpress) – O presidente do MpD pediu hoje a todos os militantes que se abstiveram nas eleições autárquicas de Outubro para irem votar, alertando que se o partido não vencer as legislativas de 2021, também vai perder as eleições presidenciais.

“Quem não votou e se absteve, agora é hora de ir votar, porque agora é hora de compromissos mais sérios (…) porque se não ganharmos as legislativas já perdemos tudo, incluindo presidenciais. Não é hora de castigar o MpD e nem de castigar o Governo”, apelou Ulisses Correia e Silva, na abertura de um encontro, na Cidade da Praia, com os dirigentes, militantes e simpatizantes do Movimento para a Democracia (MpD).

O presidente do partido no poder começou por partilhar o percurso feito pelo MpD desde Março de 2016, quando assumiu o Governo, depois fez uma análise dos resultados das eleições autárquicas e, por fim, perspectivou as eleições legislativas de 2021.

A governação do MpD, para este dirigente, começou num ambiente de emergência económica e social logo no primeiro ano, devido à estagnação económica do País e depois passaram para uma emergência de três anos devido à seca severa em Cabo Verde.

Por último, desde Março de 2020, frisou, a governação do MpD tem enfrentado a “maior ameaça”, levando o País a entrar novamente para um ambiente de “emergência sanitária, económica e social”, por causa da pandemia do novo coronavírus.

Para Ulisses Correia e Silva foram estas condições de emergência que interferiram nos resultados das eleições autárquicas de 25 de Outubro nos concelhos da Praia, Ribeira Grande de Santiago, São Domingos e no Tarrafal, na ilha de Santiago.

Outros condicionamentos foram o aparecimento dos grupos independentes, a insatisfação dos militantes e o “excesso de confiança” do partido. Mas, agora, disse que estão “mais alertas e fortes” e vão para as legislativas com objectivo de “vencer, convencer e continuar a governar Cabo Verde”.

Contudo, segundo Ulisses Correia e Silva, a pandemia da covid-19 continua a ser uma “grande ameaça”, e só ele tem o potencial de derrotar o Governo, por isso, alertou, é necessário ter muita atenção na sua gestão e controlo.

Por outro lado, reconheceu que o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) está mais motivado, por causa dos resultados das autárquicas, e um dos efeitos pós-eleitoral é um MpD diferenciado.

“Praia, por razões óbvias, pelos resultados que tivemos e pelo efeito surpresa, por excesso de confiança que fomos para a eleição, o impacto é ainda muito mais forte. Estamos numa fase apreensiva, por outro lado, estamos numa fase em que as pessoas se motivam muito mais e ganham espírito de luta”, acentuou.

É neste contexto de motivação que o MpD quer ir às próximas eleições, garantindo a confiança interna para que possam transmitir esta mesma confiança à sociedade, mobilizando mais militantes e, no final, convencer a sociedade.

O presidente do partido no poder disse ter notado que há poucos combates nas redes sociais contra o PAICV e muitos contra o próprio MpD, uma realidade que defendeu ser necessário alterar e combater o principal partido da oposição.

Ulisses Correia e Silva pediu aos militantes para focarem no essencial que é ganhar as eleições “sem excesso de confiança, sem excesso de optimismo, mas com pragmatismo”.

“Sabemos, exactamente, a realidade que temos, pessoas estão em estado de necessidade e de dificuldade e elas têm noção daquilo que pode ser melhor para elas e temos que ter capacidade de fazer diferente daquilo que o nosso adversário faz”, disse, elucidando que o PAICV tem uma estratégia de populismo, isto é, alimentando o estado de insatisfação das pessoas.

Ulisses Correia e Silva finalizou dizendo que o MpD tem todas as condições para ganhar as eleições, isto porque, segundo ele, “tudo depende da capacidade, da motivação e engajamento de todos”.

“Não ignoramos. Praia contagia pela positiva ou pela negativa o resto do país. Se fizermos um contágio positivo a partir da Praia, o resto do país ganha, mas se fizermos o contágio negativo a partir de Praia, o resto do país perde”, salientou, apelando a todos uma responsabilidade acrescida na capital do país.

AM/CP
Inforpress/Fim

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