Saúde e educação continuam a ser o “calcanhar de Aquiles” para as pessoas com Síndrome de Down – responsável

Cidade da Praia, 20 Mar (Inforpress) – Os sectores da saúde e da educação continuam a ser o “calcanhar de Aquiles” para as pessoas com Síndrome de Down no país, disse hoje à Inforpress a presidente da Associação das Pessoas com Síndrome de Down, Carla Varela.

Carla Varela, que falava à Inforpress no âmbito do Dia Internacional do Síndrome de Down, assinalado quinta-feira, 21, disse que as pessoas com deste tipo de patologia continuam a sofrer com “o mau atendimento nos hospitais” e com “a exclusão no estabelecimento escolar” mesmo estando incluso.

“Não bastasse todo o mito e preconceito que garças às desinformações rodeiam essa camada populacional, os próprios serviços de estímulo como a educação e saúde continuam a dificultar ao seu direito à saúde e à educação”, disse.

Conforme Carla Varela, as crianças e adolescentes com Síndrome de Down são pessoas que sofrem de alguns tipos de doenças característicos, como boqueira, dores de ouvido, anemia, obesidade e de pele, mas que quando encaminhados para o hospital, mas concretamente aos especialistas, os parentes deparam com muita dificuldade.

As dificuldades, segundo apontou, tem a ver com o pagamento da taxa no sector de saúde quando a lei isenta as pessoas portadoras de deficiência de pagaram qualquer tipo de taxa, assim com o tempo de espera já que se trata de crianças impacientes que não gostam de estar paradas no mesmo sítio por muito tempo.

No sector da educação, embora Carla Varela considerar que a integração é plena no pré-escolar, já no ensino básico admite que a situação é diferente, pois, as crianças com Síndrome de Down sofrem muito preconceito e bowling de colegas.

“Eu até conheço um caso numa escola onde uma criança com Síndrome de Down é deixada durante as aulas com o guarda, com esta atitude ela é excluída do sistema de ensino/aprendizagem. Para esta criança a inclusão plena não está sendo efectivada”, declarou.

A par isso, embora achando que a vocação para ensino depende de professores e escolas, reconheceu que a maior parte dos professores estão sensibilizados e formados para trabalhar com este tipo de crianças.

Neste mais um dia dedicado as pessoas com Síndrome de Down, também conhecida como trissomia 21, Carla Varela, apela a todos a não verem a população que vive com esta síndrome como um doente, pois, não se trata de uma doença, embora apresente deficiências intelectuais e de aprendizado.

“Pessoas com Síndrome de Down têm personalidade única, estabelecem boa comunicação e também são sensíveis e muito amorosas”, enfatizou.

Para assinalar a data a Associação das Pessoas com Síndrome de Down vai realizar no dia 21, uma marcha de sensibilização no bairro Craveiro Lopes, seguindo-se para o polidesportivo da comunidade onde se irá desenvolver actividades de cariz social, cultural e desportiva.

Os motivos para a ocorrência da Síndrome de Down ainda são desconhecidos, mas o que se sabe é que começa na gestação, quando as células do embrião são formadas com 47 cromossomos, sendo que o normal seria 46 cromossomos.

O dia 21 de Março marca, anualmente, o Dia Internacional da Síndrome de Down e tem como propósito conscientizar as pessoas sobre a importância da luta pelos direitos igualitários, o seu bem-estar e a inclusão das pessoas com Down na sociedade.

A intenção é proporcionar um novo olhar sobre a vida humana e favorecer uma reflexão sobre o poder que cada um detém sobre a vida dos outros, especialmente nas fases em que estes são mais débeis, como as do início e fim da vida.

PC/AA

Inforpress/Fim

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