São Vicente/Festival: Ponto de encontro musical na Baía das Gatas pronto para o arranque

 

*** Por Américo Antunes, da Agência Inforpress ***

Mindelo, 11 Ago (Inforpress) – Palco, som, luzes, barracas e tendas montadas:  Baía das Gatas, a oito quilómetros da cidade do Mindelo, será, a partir de hoje e por tês dias, o ponto de encontro da ilha de São Vicente.

Debaixo da homenagem à juventude mindelense, a quem é dedicado, 100 mil watts de potência sonora e a expectativa de juntar para cima de 80 mil pessoas, aí está a edição 33 do Festival Internacional de Música da Baía das Gatas.

Mas, desta vez, quem fisicamente não puder acompanhar o certame, no país e no estrangeiro, terá oportunidade de o fazer através da Televisão de Cabo Verde (TCV) que, sete anos depois, regressa às transmissões em directo do festival de música mais antigo de Cabo Verde.

A organização, através do pelouro de Cultura da Câmara Municipal de São Vicente, entidade que organiza o certame, diz que “tudo está preparado” para que o festival decorra “da melhor forma”, ao mesmo tempo que espera um “comportamento exemplar” do público, como tem acontecido nos últimos anos.

As actuações previstas para os três dias principiam, portanto, na noite de hoje, às 20:00, e, nesta 33ª edição, cabe à fadista portuguesa Mariza, abrir o palco, que vai pisar pela primeira vez.

Como já é hábito, a praia mais a nordeste da cidade do Mindelo, a oito quilómetros do centro da cidade, será o palco dos mais diversos estilos musicais nacionais e internacionais, e, este ano, a câmara traz um cartaz que volta a apostar nos artistas da terra, dos mais novos aos consagrados intérpretes da morna, da coladeira e do hip-hop.

De Maria Alice a Ana Firmino, passando por Titina, Jorge Sousa, João Eugénio, Armando Tito, Chico Serra, Débora Paris, Odailine, Sílvia Medina, Joceline e muitos outros, a promessa é de muita coladeira, kizomba e hip-hop, de sexta a domingo.

Para completar o cartaz dos três dias há ainda a vertente internacional com o reggae-man Alborosie, os brasileiros Dudu Nobre, Joelma e Naldo Benny, e o angolano Anselmo Ralph.

Mas festival não é só música, é também lugar de sã convivência, de reencontros, da morabeza, mas também uma oportunidade de negócio e, “num ápice”, divulgou a organização, esgotaram os lotes colocados à disposição dos comerciantes na Baía das Gatas para implementação de barracas de comes e bebes.

Estão localizados nas traseiras do palco e nas cercanias da antiga esplanada e por cada espaço há um preço estabelecido, consoante a área.

Outro “factor determinante” para o sucesso do festival é a segurança, mas aqui a organização, em concertação com a Polícia Nacional (PN) e o Comando da 1ª Região Militar, garante cobertura policial, na baía e na cidade, 24 sobre 24 horas.

Aliás, a “Operação Baía das Gatas 2017” convoca todo o efectivo da Polícia Nacional (PN) do Comando de São Vicente, e conta com um reforço de agentes de Santo Antão e de militares da Terceira Região Militar.

Segundo a comandante operacional Firmina Melício, estão também criadas as condições para que a cidade do Mindelo e arredores “não fiquem abandonados”, pois está garantido o serviço de piquete e o normal funcionamento das esquadras.

“O comando operacional vai funcionar na Baía das Gatas, vamos manter, nos três dias, tolerância zero na estrada, nas duas vias de escoamento para a cidade”, considerou a comandante operacional da PN, que espera colaboração do público “que vai festejar, sim, mas com prudência”, espera-se.

Numa ronda por hotéis, residenciais e agência de viagens, a Inforpress constatou que a taxa de ocupação dos hotéis “é alta”, a maioria a 100 por cento por esses dias, e que, por via aérea, os voos programados “estão todos cheios” em direcção a São Vicente.

A Cruz Vermelha, por seu lado, terá, como é hábito, um posto de atendimento de primeiros socorros e não faltarão voluntários para trabalhar na promoção de comportamentos responsáveis, sobretudo junto dos jovens, com incidência na prevenção ao consumo excessivo do álcool e da droga, enquanto factores facilitadores da contaminação e propagação das infecções sexualmente transmissíveis.

Assim, a 32ª edição do Festival Internacional de Música da Baía das Gatas é inaugurada na noite de hoje pela fadista Mariza, seguida de um coletivo de vozes e interpretes das ilhas, o qual inclui nomes como Titina, Maria Alice, Ana Firmino, Jorge Sousa, João Eugénio, Armando Tito e Chico Serra.

Ainda para o primeiro dia, o destaque para as actuações previstas de Badoxa, cantor versátil nos estilos kizomba, semba, zouk e tarraxinha, e da brasileira Joelma, um regresso ao festival, que encerra o primeiro dia.

No sábado, 12, o palco abre com DJ locais, ao que seguem as actuações do angolano Anselmo Ralph, Carnaval com Dudu Nobre, que convida Constantino Cardoso e Anísio, Djodje e o reggae-man Alborosie, que baixa o pano no segundo dia.

Finalmente, para domingo, 14, a programação contempla a actuação de DJ e de diversos grupos de São Vicente, com o projecto que conta a história do hip-hop, na ilha, ao que segue o encontro de novas vozes da ilha, que incluiu Débora Paris, Odailine Tavares, Dainira Veríssimo, Josimar Gonçalves, Sílvia Medina e Joceline Medina.

Estão previstas ainda, ao longo da noite de domingo, as actuações de Élida Almeida, Ferro Gaita, Calema e o brasileiro Naldo Benny, que encerra a 33ª edição do Festival Internacional de Música da Baía das Gatas.

O festival teve a sua primeira edição no dia 18 de Agosto de 1984, é realizado anualmente na praia do mesmo nome, a oito quilómetros da cidade do Mindelo, e desde aquela data apenas em 1995 não se realizou, devido a uma epidemia de cólera que assolou Cabo Verde.

Anualmente, a Câmara Municipal, que organiza o evento, reserva uma verba de 15 mil contos no orçamento municipal para fazer face às despesas com a logística, viagens e cachês de artistas, contando também com parceiros e patrocinadores que financiam a “maior parte do bolo”.

Venha daí, pois, a música. O palco está montado.

AA/CP

Inforpress/Fim

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