São Vicente: Vaticínio confirmado campanha de protecção de tartarugas 2022 regista “época baixa” – activista

Mindelo, 16 Nov (Inforpress) – Um total 28 ninhos, 12 tartarugas avistadas, 71 rastos registados e o resgate de 17 tartaruguinhas na estrada: eis os números da campanha 2022 de protecção de tartarugas marinhas, classificada de “fraca”, em quatro praias de São Vicente.

Os números foram fornecidos à Inforpress pelo vice-presidente da Associação Jovens Voluntários Terra a Terra do Mindelo, Paulo Nobre, que coordenou a campanha nas praias da Laginha, Lazareto, Flamengo e São Pedro, e que decorreu de 01 de Agosto a meados do mês de Outubro.

A mesma fonte confirmou que a “fraca afluência” de tartarugas registadas este ano nas quatro praias “já era esperada” pois, geralmente, depois de um ano excelente, como foi o ano passado, costuma suceder um mais moderado, como realmente aconteceu, sem contar com as chuvas que danificaram alguns ninhos nas praias da Laginha, de São Pedro e do Lazareto.

No entanto, Paulo Nobre lamenta a morte de 11 tartaruguinhas por atropelamento na estrada cidade/aeroporto, um caso recorrente ainda sem solução, que Paulo Nobre liga à poluição luminosa na estrada marginal.

Pede que seja construída uma vala na praia do Lazareto para dificultar o acesso das tartaruguinhas à estrada, pois, após a eclosão, às vezes, em vez de seguirem para o mar, vão em direcção à estrada, atraídas pela luz.

Por outro lado, a mesma fonte registou um outro aspecto “menos conseguido” da campanha e que se relaciona com o facto de na época de eclosão, finais de Outubro e durante o mês de Novembro, já não haver verba para manter o acampamento.

“Para mim o momento da eclosão é o mais importante, pois não faz sentido proteger a mãe e largar os filhos ao Deus-dará, por isso faço um apelo sobretudo aos financiadores no sentido de estenderem ainda por mais alguns meses a campanha”, concretizou o activista ambiental.

Para a próxima campanha, avisa que se houver mais verba conseguirão resultados superiores aos alcançados até agora, e defende um financiamento “mais robusto” capaz de suportar um acampamento permanente durante a época em que há banhistas nas praias, mas sobretudo para afastar os cães vadios, que não aparecem se não houver pessoas nas praias.

Aliás, os cães vadios são neste momento a maior preocupação do activista, uma vez que as pessoas, de uma forma geral, em São Vicente, precisou Paulo Nobre, estão a “ganhar consciência ambiental” e estão “tocadas” para esta causa, devido também ao trabalho de sensibilização que a associação desenvolve nas comunidades.

“Esperamos fazer melhor no próximo ano, porque quase sempre depois de uma época baixa, surge sempre um ano muito melhor e mais motivante”, finalizou.

A tartaruga caretta-caretta, a mais avistada em Cabo Verde, é um animal que volta entre 15 a 20 anos depois à praia onde nasceu para desova, vive até aos 50 anos, pode pesar até 100 quilogramas e a gestação dura entre 50 a 60 dias.

Apenas uma em mil crias chega à idade adulta.

AA/HF

Inforpress/Fim

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