São Vicente/Urdi: Professora defende que é urgente usar a tradição oral para educar crianças e jovens

Mindelo, 03 Nov (Inforpress)- A professora Margarida Santos defendeu hoje, no Mindelo, que é urgente usar a tradição oral, com todos os seus elementos, para educar as crianças e os jovens cabo-verdianos incutindo-lhes valores como justiça, solidariedade, respeito e amor.

Margarida Santos fez esta consideração durante a sua participação no painel “Grandes conversas” da 7ª edição da Feira de Artesanato e Design (Urdi), com o tema “Oralidade, Memória e Tradição”, que decorreu no Centro Cultural do Mindelo.

“É urgente usar a tradição oral, com todos os seus elementos, para educar as nossas crianças e os nossos jovens, incutindo-lhes valores, justiça, solidariedade, respeito e amor a si e ao próximo, ao País, às suas instituições, tendo em conta os próprios costumes e maneira de viver das pessoas de cada ilha, cidade, bairro e comunidade”, sustentou a mesma fonte.

Segundo a professora, “importa continuar a trabalhar não só no sentido de promover a cultura cabo-verdiana, País repleto de tradições e de histórias, manter viva a memória das pessoas”. Mas também, sustentou, é importante usar essas tradições como” fins pedagógicos que vão para além dos conteúdos programados ligados a disciplinas específicas de educação artística e ao trabalho com textos nos manuais escolares, que versam diversos temas sejam antropológicos, sociais ou culturais de Cabo Verde”.

Para a Margarida Santos, actualmente se assiste a uma paulatina adesão de jovens às diferentes manifestações culturais em Cabo Verde, não só devido ao trabalho das instituições governamentais, mas também ao de diversos grupos de cidadãos no sentido de promover as diferentes áreas da cultura cabo-verdiana.

A mesma fonte destacou o trabalho que está sendo feito para a promoção da língua materna e da língua portuguesa em Cabo Verde, da literatura, que a seu ver é uma arte privilegiada da cultura cabo-verdiana, lembrando ainda que há um “recrudescimento de produção em língua materna”, e do interesse pelas “festas de romaria que tem mobilizando uma boa parte dos jovens”.

No seu entendeu, se, por um lado, o Centro Nacional de Artesanato vem tendo esta papel de fazer com que parte da história se eternize na consciência de cada cidadão, proporcionando aos artesãos nacionais e internacionais diversos encontros de partilha e de criação conjunta e individual assim como a divulgação do seu enorme trabalho de produção, importa, por outro lado, que outras instituições se associem ao CNAD e que, de forma mais efectiva e articulada, trabalhem visando a preservação da tradição cabo-verdiana.

Por sua vez, a escritora, professora e jornalista Fátima Bettencourt, que também discorreu no mesmo painel, afiançou que o que vê na prática sobre o artesanato é que “há uma vertente urbana e outra rural e que às vezes as duas se fundem numa única que parece a sua soma. A título de exemplo, citou os vasos de barro feitos em Fonte Lima, na Boa Vista e Maio e vendidos nas “sucupiras” das ilhas.

“Essas peças, quando chegam às cidades, recebem novos significados e tratamentos tornando-se irreconhecível até mesmo para quem as produziu. São agora peças mais belas e mais caras, destinam-se à ornamentação e decoração de espaços nobres, mas perdem a sua autenticidade”, considerou.

Já o professor e investigador do Instituto do Património Cultural (IPC) Humberto Lima, que falou da tradição oral e do artesanato, defendeu que o artesanato é um dos meios mais importantes de expressão da identidade de um grupo social.

“Em uma única obra, independentemente do seu tamanho, existe a força do trabalho, a memória, a identidade, as dificuldades, as alegrias, os cidadãos, a paciência e o conhecimento adquiridos ao longo do tempo pelo artesão”.

Este foi o último painel das Grandes conversas da 7ª edição da Urdi, que este ano tem como lema “Tradição oral, cultura imaterial”. Mas a feira prossegue logo mais com a exposição-venda de produtos na Praça Nova (Praça Amílcar Cabral), inauguração da Urdi Júnior, Concertos entre outras actividades.

CD/JMV
Inforpress/Fim

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