Search
Generic filters
Exact matches only
Search in title
Search in content
Search in excerpt
Filter by Categories
Politica
Desporto
Economia
Sociedade
Ambiente
Cooperação
Cultura
Internacional
Destaques
Eleições

São Vicente/Urdi: Artesãos apontam venda “muito fraca” nesta edição da feira

Mindelo, 22 Nov (Inforpress) – Os artesãos que participam da Feira de Artesanato e Design -Urdi, no Mindelo, reclamam de venda “muito fraca” nesta edição do evento e criticam a “fraca divulgação” dos ateliês e lugares de exposição.

A Inforpress fez uma ronda aos ateliês e locais de venda dos artesãos, tanto no centro da cidade, como na periferia e Margarida Cabral, que tem os seus produtos expostos no Quintal das Artes (antigo comando da Polícia Nacional, no Mindelo) é daquelas que se mostrou mais descontente e falou de “zero” vendas em três dias.

“O sistema que tentaram montar não está a funcionar, não há gente a vir comprar e os artesãos ainda estão aqui expostos só por brio, porque venda não há nada”, lançou a mesma fonte, para quem o Ministério da Cultura “deveria ajudar a classe, quem sabe comprando parte dos produtos para oferecer ou guardar para o espólio de Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design (CNAD)”.

A artesã criticou ainda a não atribuição do selo “created in Cabo Verde”, que até agora não receberam para destacar o artesanato feito no país.

“O estatuto do artesão e o selo são ideias espectaculares e mostram-se cheio de oportunidades, mas precisam sair do papel. Por outro lado, os artesãos também precisam unir-se mais e tirar mais proveito de regalias como a previdência social”, considerou.

Hermes dos Reis, que partilha o quintal com Margarida e outros colegas, também disse não ter tido, até esta sexta-feira, nem vendas, nem visitas e, por isso, assegurou não ter valido a pena realizar a feira.

Isto porque, sublinhou, “não houve um trabalho de divulgação” dos pontos de venda nesta edição, que adoptou outros moldes devido à pandemia e com a feira a decorrer em todas as ilhas e nos próprios ateliês dos artesãos.

Sendo assim e sem a Praça Nova como ponto convergente, Hermes dos Reis acredita que deveria ter havido mais informação, por exemplo, assinalar o Quintal das Artes, para mostrar a participação na feira.

“Há uma falta de informação da própria organização do evento para estimular a procura, porque passámos por todo esse stress para preparar a exposição, investimos sem ter recursos e depois não há retorno”, sublinhou o artesão.

Quem também reclama de pouca saída dos produtos é Adalberto Varela e para quem falta “alguns retoques” no sistema de marketing da feira.

“É uma crítica construtiva e acredito que deveria haver maior promoção e distribuição dos panfletos com o mapeamento do circuito dos diferentes artesãos, isto porque os pontos estão dispersos e falta motivação e tempo para as pessoas os percorrer todos”, sustentou o artesão, que tem banca no Centro de Turismo e Economia Solidária, no Mercado Municipal do Mindelo.

Ao que parece as coisas pioram quando se chega mais à periferia e aos artesãos com vendas nas próprias residências.

Janilda Monteiro, que reside na zona de Impena – Ribeira Bote, é um destes e disse que a URDI em casa “simplesmente não funciona”.

“Ainda não recebi qualquer visita e vendas que tenho feito, são só algumas através da Internet”, informou a artesã, apontando a pandemia da covid-19 e aumento de casos na ilha de São Vicente como factores contribuintes para que as pessoas tenham “mais receio” de percorrer os locais.

Para a artesã, as vendas eram melhores quando a Urdi podia ser feita na Praça Nova, onde as pessoas passavam e sempre compravam qualquer coisa, mas em casa não dá.

Mesma coisa se passa com a Odeth Nascimento, com venda na garagem da sua residência em Ribeirinha e que confirmou ter vendido “muito pouco”. Entretanto, ainda assim destacou a “força de vontade” da organização e dos artesãos para dar continuidade à feira.

“Mesmo sendo desta forma é algo louvável e que mostra que estamos presentes e para não sermos esquecidos”, considerou a mesma fonte, para quem os artesãos “não podem desistir da sua luta, senão fica pior”.

Maria da Luz da Cruz, em Alto Mira-Mar, também acredita na “boa intenção” do evento e vê como uma “boa ideia” da organização.

“Se é para ficarmos parados é melhor assim, mesmo sem vendas esta é sempre uma oportunidade de divulgar o nosso trabalho”, concretizou.

As actividades da feira Urdi continuam na tarde de hoje com a homenagem ao mestre artesão João Fortes, falecido no mês de Junho, através de um debate e de uma exposição com as suas obras.

LN//CP

Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos