São Vicente: Urdi abre exposições “Blimundo e Renda Brava” no Centro Cultural do Mindelo

Mindelo, 01 Nov (Inforpress) – O Centro Cultural do Mindelo inaugurou, hoje, a exposição evocativa do espectáculo Blimundo, de Leão Lopes, realizado na Expo 98, de Lisboa, e a mostra Renda Brava, no âmbito da Feira de Artesanato e Design de Cabo Verde.

As duas mostras integram o Salão Created in Cabo Verde da 7ª edição da Feira de Artesanato e Design de Cabo Verde (Urdi), que decorre no Mindelo até Domingo, 04 de dezembro.

A exposição evocativa do Blimundo mostra fotos do espectáculo do mesmo nome, realizado em 1998 em Lisboa, com música, dança, cinema e vídeo com vários artistas cabo-verdianos, que retratam a história de um boi irreverente e amante da liberdade.

Em declarações à imprensa, o artista Leão Lopes disse que Blimundo, atravessa a sua vida desde criança porque é dos contos que o marcou e, possivelmente, também marcou muitas outras pessoas e talvez, por isso, é um arquétipo da identidade cultural cabo-verdiana.

“Quando eu regressei para Cabo Verde logo a seguir à independência, isso levou-me até Santo Antão para ir descobrir Blimundo, mas não o encontrei, ele estava dentro de mim e dentro de nós todos praticamente e talvez, por isso, seja um arquétipo da nossa identidade cultural.

“Eu intui, na altura, foi a primeira motivação para educação de jovens que eu tive aqui em Cabo Verde. Foi o primeiro projecto que eu tive. Eu o recolhi, trabalhei-o no domínio da educação artística informal e, antes dos meninos começaram a fazer cerâmica, as primeiras peças que manipularam foram personagens do Blimundo. A partir dali foi mais fácil ensiná-los cerâmica”, revelou Leão Lopes, para quem os valores imaginários que Blimundo desperta nas pessoas já foi objecto de testes, há uma ficção à volta dele e ele vai continuar a mexer com as pessoas.

Por sua vez, o actual director do Centro Cultural do Mindelo, António Tavares, que participou no espectáculo, na Expo 98, disse que Blimundo “é tal qual Amílcar Cabral”. Ou seja, concretizou, “é na realidade de toda a drama de traição e ao mesmo tempo a luta pela liberdade que ele faz”.

“Acabamos por criar a nossa própria esperança e inventar o nosso próprio destino. Então ele acaba por aparecer para nós toda a emancipação e é realmente, é fundamental para ajudarmos a entender como é que inventamos um país”, defendeu.

Por sua vez, a exposição Renda Brava mostra o resultado dos projectos que iniciou em finais do ano 2018, no âmbito da 2ª edição da Urdi. O seu objectivo era propor uma nova abordagem criativa e estética à renda da ilha Brava enquanto elemento simbólico, patrimonial e identitário deste território.

Conforme Adelina Pina, uma das rendeiras e que tem uma experiência de 50 anos nesta arte, inicialmente o projecto foi muito difícil porque tinham de juntar quatro a cinco fios de linha para formar desenhos como casas, a biblioteca, a Casa de Eugénio Tavares, a Praça da Ilha Brava num trabalho que durou cerca de sete meses.

Mas disse que hoje se sente “orgulhosa” por ver o resultado do trabalho exposto ao público.

Para a designer do Centro Nacional de Artesanato e Design, Karine Patrício, que participou do projecto junto com uma coordenadora de Portugal, o processo de trabalho da Renda Brava “foi bastante enriquecedor”, porque “a equipa criativa estava em São Vicente, as rendeiras na Brava, e a coordenadora em Portugal” e, apesar da diferença e do factor distanciamento, o casamento que encontraram foi extraordinário”.

CD/JMV
Inforpress/Fim

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