São Vicente/Urdi 2020: Germano Almeida, Bento Oliveira e Vasco Martins falam do mar como fonte de inspiração

Mindelo, 26 Nov (Inforpress) – O escritor Germano Almeida, o compositor e instrumentista Vasco Martins e o artista plástico e educador Bento Oliveira, discorreram hoje no Centro Cultural do Mindelo sobre o mar como fonte de inspiração para as suas obras.

“O mar na poética visual, musical e literária de Cabo Verde”, foi o mote para este encontro, integrado nas “Grandes Conversas” da Feira Nacional de Artesanato de Cabo Verde (Urdi 2020), que decorre até domingo, 29 de Novembro.

Da literatura, à pintura, passando pelas artes visuais, a conversa guiada por Ana Cordeiro, como moderadora, começou com Vasco Martins, que através de uma abordagem à sua discografia, cintou exemplos como “o mar é uma inspiração constante na sua música”.

“O mar tem um poder revitalizador, porque não há ninguém que entra nele e que não saia de lá com um ânimo mais entusiasta, mais corajoso e mais forte. Foi esta consciência que me fez pouco a pouco contemplar e a tirar partido da grande sinfonia épica”, adiantou Vasco Martins, trazendo o exemplo do LP “Universo da ilha”, que foi lançado em 1986, com temáticas marítimas.

Segundo o artista, o tema foi inspirado “nos cantos profundos das baleias-jubarte que passam em Cabo Verde entre os meses de Janeiro e Abril de cada ano, com destino ao Atlântico norte”.

Além disso, citou trabalhos “Oceano Imenso” (1987), “Memórias Atlânticas” (1997) ou ainda “Mar” (2020), todos que tiveram o mar como fonte de inspiração.

O segundo artista a falar foi Bento Oliveira, que “tem nas artes visuais uma forma de exprimir as suas atitudes e inquietudes perante a vida”. O artista revelou que o que sempre o inquietou foi a sua paisagem materna que é imbuída do mar.

“Percebi o intuito do mar num pedaço de pano da panaria cabo-verdiana. Quando trouxeram esta prática para Cabo Verde, começaram a interpretar sinais das viagens que faziam da costa da África para as ilhas e começaram a tecer formas simplificadas das caravelas e de búzio”, exemplificou Bento Oliveira.

O mesmo lembrou ainda que aos 12 anos foi marcado pela temática do grupo carnavalesco “Estrela do Mar” e tentava “reproduzir o imaginário” do Carnaval de São Vicente nas suas brincadeiras.

Por sua vez, Germano Almeida defendeu que ao percorrer o que os diferentes escritores cabo-verdianos falam sobre o mar, constatou que “não há nenhum que fala do mar como fonte de subsistência, à excepção de Onésimo Silveira, que fala do mar e especificamente do Porto Grande, referindo o seu aspecto económico para o arquipélago”.

“Nós nunca vimos o mar como uma fonte de subsistência, sempre vimos o mar como caminho para nos levar para outras paragens. Isto talvez tem a ver com o facto de o cabo-verdiano nunca ver Cabo Verde com uma terra onde se podia criar e ter condições de vida permanente, mas sempre como local de passagem”, explicou o escritor.

Para Germano Almeida, trata-se de um aspecto “estranho”, porque “historicamente os cabo-verdianos foram assolados, diversas vezes, por grandes fomes que consumiram grande parte da população e não se fala da população a dirigir-se ao mar como fonte subsistência”.

CD/DR

Inforpress/Fim

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