São Vicente: Tribunal condena acusado de matar “Sissy d’videoclube” a 23 anos de cadeia

Mindelo, 08 Mar (Inforpress) – O Tribunal de São Vicente condenou, hoje, Marlon Neves a uma pena de prisão acumulada de 23 anos pelo homicídio de Alcídia Salomão (Sissy d’videoclube), a 31 de Dezembro de 2020, na Rua de Morguine.

De acordo com a sentença, proferida pelo juiz Manuel Andrade, todos “os actos de que o arguido vinha acusado foram devidamente provados, através de um exercício de valoração dos factos recolhidos e que foram interpretados para se encontrar um sentido”.

Assim, o jovem foi condenado a 20 anos e seis meses de prisão, pelo homicídio na sua forma agravada, e a mais quatro anos, pelo crime de furto qualificado, o que dá uma pena de acúmulo jurídico de 23 anos de reclusão. Marlon Neves também terá de pagar uma indemnização de 2.500 contos aos familiares da vítima.

O magistrado considerou que o indivíduo, que tem problemas sérios de toxicodependência, confirmado pela ex-companheira, conhecia e tinha uma relação de amizade com Sissy d’videoclube, o que indica que ele tinha acesso fácil ao estabelecimento.

Por isso, prosseguiu, no dia 31 de Dezembro de 2020, entrou no seu videoclube com a intenção de se apropriar dos seus bens, porque precisava de dinheiro, golpeou a vítima com 12 tesouradas e de seguida levou alguns bens.

Para o juiz, Sissy d’videoclube “teve uma morte consciente porque sabia que estava a morrer, mas não teve forças”, pelo que, “foi uma morte dramática”.

Marlon Neves, adiantou o mesmo juiz, teria tentado desfazer-se dos bens, possivelmente para comprar droga e eliminar as provas do crime, mas não conseguiu vender o telemóvel, o computador e o DVD da vítima e nunca conseguiu explicar de forma coerente porque é que estava na posse desses referidos bens e entrou em contradição.

Primeiro, explicou o juiz, o acusado alegou que “encontrou os pertences atrás da Fábrica Favorita” e depois disse que os encontrou “numa bolsa à porta do videoclube”.

No entanto, o magistrado esclareceu que a imagem do indivíduo “foi captada pela câmara de segurança existente na rua”.

O caso remonta ao dia 31 de Dezembro de 2020, quando Alcídia Salomão foi encontrada sem vida, por volta das 08:30, no videoclube de que era proprietária, na Rua Morguine. O levantamento do corpo foi feito, por volta das 12:45, pelos bombeiros, acompanhados de elementos da Polícia Judiciária, e levado para a perícia médica no Hospital Baptista de Sousa.

No entanto, segundo os familiares, o corpo de Alcídia Salomão foi encontrado no videoclube pelo seu filho, de 23 anos, com quem morava na zona de Djid Sal.

O cadáver, relataram, “foi encontrado de bruços, com um casaco enrolado na cara e do lado uma arma branca, o que apontava para um crime”.

Conforme essas mesmas fontes, o filho teria esperado pela chegada da mãe, durante a noite e tentado entrar em contacto com ela, sem sucesso.

Ao amanhecer, acrescentam, ao estranhar a demora da sua chegada, ele foi ao videoclube e a encontrou morta.

Os vizinhos também relataram à Inforpress que Alcídia Salomão costumava encerrar o videoclube por volta das 20:00 e que após o encerramento atendia os clientes através da janela e só abria a porta caso o cliente fosse algum conhecido.

Estes disseram ainda que estranharam o facto de o videoclube estar de portas fechadas naquela noite antes do horário habitual de encerramento.

Apesar disso, revelaram que não ouviram qualquer barulho proveniente do local.

CD/ZS

Inforpress/Fim

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