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São Vicente: Sokols considera manifestação “muito boa” mas “aquém das expectativas” em termos de público

Mindelo, 25 Set (Inforpress) – O líder do Movimento Cívico Sokols’2017 considerou hoje, no Mindelo, que a manifestação dedicada à justiça e à sua respectiva reforma foi “muito boa”, mas reconheceu que “ficou aquém do esperado em termos de participação de pessoas”.

Salvador Mascarenhas falava à imprensa às 12:50 minutos, após cumprir o trajecto, de cerca de duas horas, acompanhado dos manifestantes, que saíram da Praça Dom Luís, seguiram para o Tribunal da Comarca de São Vicente, depois para a cadeia da Ribeirinha e voltaram para o centro da cidade.

Algumas dessas pessoas disseram à Inforpress, que participaram em solidariedade para com o advogado e deputado Amadeu Oliveira, que está preso. Outros revelaram que estavam lá para reivindicar a justiça em causa própria.

Mas, a participação do público, segundo o líder do Sokols’2017, não foi o esperado, apesar do “esforço enorme” para divulgar esta acção cívica. Por isso, afirmou que “vai repensar a sua actuação enquanto activista político”.

“Talvez não tenha sabido passar a mensagem, porque não sou político. Ficou completamente aquém das expectativas que eu tinha, mas foi bom. Obviamente que demos volta à Ribeirinha, enviamos uma mensagem forte ao Amadeu para ele poder sentir-se forte e acho que as pessoas estão a começar a preocupar-se um pouco com a justiça. Mas, às vezes não é fácil passar essa mensagem”, defendeu Salvador Mascarenhas.

No entanto, o activista disse esperar que os governantes “observam a reforma, que Amadeu está a propor, porque uma parte significativa da população está preocupada com este assunto”.  Salvador Mascarenhas também pediu ao povo para” colocar rédea aos governantes, que participem mais, que exigem e façam abaixo-assinados”.

O líder do Sokols’2017 também garantiu que a associação cívica vai continuar com outras formas de luta, das quais destacam-se “abaixo-assinados, propostas ao parlamento e debates” porque, sintetizou, “as pessoas têm que ter mais consciência do que é de facto a justiça, os seus problemas e que tem que ser feita para o povo”.

Ao longo do percurso os manifestantes empunhavam cartazes com dísticos como “A justiça precisa ser informatizada, “A justiça está de rastos”, “O povo está com Amadeu Oliveira”, “Electricidade no preço justo”, “Amadeu, a voz do povo” entre outros.

Além de Salvador Mascarenhas, houve intervenções de pessoas. A primeira foi a mensagem de Amadeu Oliveira, divulgada à frente do Tribunal da Comarca de São Vicente, pelo vereador da Câmara Municipal de São Vicente, eleito pela UCID, Anilton Andrade, que disse que estava na manifestação como “cidadão independente”. 

“Amadeu Oliveira disse que lá onde está só sai com a justiça e que não vai para nenhum lado. Ele está à espera da justiça. Uma justiça que tem que ser célere, que sirva o povo e que representa o homem cabo-verdiano”, difundiu Anilton Andrade, defendendo que “Amadeu será solto, não por causa da saúde, mas por justiça, porque ele é o primeiro preso político desta era, que foi detido por vingança, por se ter levantado a voz contra a injustiça”.

Outras pessoas que se sentem lesadas pela justiça cabo-verdiana, também assumiram o microfone ao longo do percurso. Um deles foi Aristides Gaspar, que foi acusado de crime de roubo a um banco, em São Vicente, que, entretanto, foi absolvido pelo tribunal.

Outra intervenção foi de Joaquim Morais, pai do agente da Polícia Nacional, Hamylton Morais, que foi assassinado a tiro em Outubro de 2019, durante uma intervenção da PN na zona de Tira Chapéu, cidade da Praia.

Falando para os manifestantes, já na zona de Alto Sentina, Joaquim Morais mostrou-se magoado com o Tribunal da Praia por ter condenado o agente da PN, Eliseu Sousa, principal suspeito do homicídio, a três anos de prisão com pena suspensa, considerando que ele “não teve intenção de matar o colega”.

O mesmo acusou o “Governo e o colectivo dos juízes que julgaram o caso” de serem uma “corja de bandidos” e afirmou que a morte de Hamylton Morais foi planeada”.

“A morte do meu filho foi planeada porque o meu filho estava a tentar apanhar quem estava na droga, mas conseguiram apanhá-lo primeiro. Essa é a injustiça que temos em Cabo Verde. Fazem tanta manobra que tinha uma juíza que conduzia o processo e a colocaram na prateleira porque ela já tinha dado prisão preventiva ao assassino”, desabafou.

Ao chegarem ao largo da cadeia da Ribeirinha onde Amadeu Oliveira cumpre prisão preventiva, desde o mês de Julho desde ano, soltaram cerca de 30 pombos, a maioria na cor branca para simbolizar a paz e pedir libertação do arguido.

À frente do estabelecimento prisional, os manifestantes gritaram palavras de ordem como “Amadeu o povo está contigo”, “viva Amadeu”, “liberdade ao Amadeu”, “reforma urgente da justiça”.

Depois, contornaram   a cadeia de Ribeirinha e desceram para o centro da cidade em direcção à Praça Dom Luís, com as pessoas a dispersarem-se pelo caminho.

CD/ZS

Inforpress/Fim

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