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São Vicente: Sociólogo exorta à “consciência política” dos jovens para reivindicar espaço público (c/áudio)

Mindelo, 12 Jul (Inforpress) – O sociólogo e activista Redy Lima diz ser preciso que os jovens tenham “consciência política” para reivindicar o espaço público que “é de todos” e a infraestruturação básica nas zonas chamadas informais como o Alto Bomba.

Redy Lima falava à Inforpress, no Mindelo, a propósito da sua apresentação no evento “Somá na Ponta”, que pretende reflectir, de hoje até dia 17, a Iniciativa Outros Bairros – acção pública do Ministério das Infraestruturas, Ordenamento do Território e Habitação e que teve o bairro do Alto Bomba, em São Vicente, como projecto-piloto.

“É preciso ter consciência política de reivindicar e apropriar do espaço público, que é nosso, e a partir disso consegues reivindicar e confrontar quando, por exemplo, precisas de alguma infra-estruturação básica na tua zona e não tens”, considerou, adiantando assim a necessidade de “politização e consciencialização” do que é viver num território urbano.

O sociólogo, que tinha a seu cargo a temática “Urbanismo de Cabo Verde: Os processos de apropriação e representação do território – casos das cidades da Praia e do Mindelo”, falou assim da sua “experiência gratificante”, que teve com os jovens rappers de Alto Bomba com o projecto “Kubaka”.

“Mas, Kubaka nunca foi um projecto meramente artístico, mas sim foi uma consequência para criar um debate à volta do espaço urbano. No fundo era uma questão de politização”, explicou a mesma fonte, para quem a sociedade cabo-verdiana é “bastante despolitizada” e precisa pensar colectivamente.

Por isso, ajuntou, o Kubaka pôde assim colocar os jovens a reflectir sobre a realidade de Alto Bomba, que é “chamado de fralda e periferia da periferia, mas ao mesmo tempo pensar o bairro como um local que é de uma cidade, a cidade do Mindelo”.

Redy Lima considera que toda essa forma de pensar está plasmada no trabalho final, que foi a gravação de um CD, que depois se multiplicou até com o surgimento de outros grupos musicais, não propriamente ligado ao rap, mas a questão de reivindicação.

“Alto Bomba surgiu como um espaço político derivado de ausência de políticas públicas, por isso, que surgem lugares como aquele que chamamos de bairro informal”, sustentou o sociólogo, adiantando haver uma “barreira mental” sobre o espaço urbano e tem de “passar primeiro pela descolonização do urbanismo”.

“Mindelo não é só Morada e Praia também não é só Platô”, exemplificou, com a ideia que a “barreira simbólica” tem provocado exclusão e auto-exclusão.

“Somá na Ponta” é um evento que será desenvolvido durante cinco dias, através de conversas e conferências com a participação de moradores, técnicos, políticos, investigadores e cidadãos para discutir o futuro da iniciativa Outros Bairros.

A iniciativa, que terá transmissão ‘online’, mas também apresentações no Centro Cultural do Mindelo e no próprio Alto Bomba, é promovida pelo projecto “Outros Bairros”, em parceria do Ministério de Infraestruturas, Ordenamento do Território e Habitação (MIOTH) e a Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), de Portugal.

LN/CP

Inforpress/Fim

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