São Vicente: Sindicatos denunciam “tentativa de golpe” da secretária-geral ao realizar congresso da UNTC-CS (c/áudio)

Mindelo, 04 Mar (Inforpress) – Os sindicatos de São Vicente e os membros do Conselho Nacional da União Nacional dos Trabalhadores de Cabo Verde- Central Sindical (UNTC-CS) classificam como “farsa, fraude e tentativa de golpe” o VIII congresso a ser realizado pela secretária-geral.

Tomás Aquino, que deu voz ao grupo na conferência de imprensa realizada hoje, no Mindelo, começou por lembrar que, conforme os estatutos da UNTC-CS, compete ao Conselho Nacional e não à secretária-geral convocar o congresso e só pela ordem do dia da reunião se vê que o objectivo de Joaquina Almeida “é o de apenas se fazer reeleger, o quanto antes por mais um mandato de cinco anos”.

Além de mencionar a questão da prestação de contas, que “não vai ser feito no congresso”, o sindicalista denunciou o facto de a secretária-geral ter “usurpado os poderes” ao excluir os sindicatos “mais representativos” e fundadores da central sindical e ainda os membros-natos do Conselho Nacional”.

“Entretanto, já convocou pessoas que não são e nunca foram associados dos sindicatos, portanto, sem nunca terem pago um centavo sequer de quotas, para participarem no congresso como delegados”, considerou.

Por isso, advogou, o “alegado congresso”, marcado para o dia 09, na Cidade da Praia, “não passa de uma autêntica farsa, uma enorme fraude, e sobretudo, uma tentativa de golpe dessa senhora”.

Tomás Aquino acredita que o encontro “pode ser chamado de tudo, menos de congresso da UNTC-CS”.

Segundo a mesma fonte, Joaquina Almeida disse que foi mandatada pelo conselho numa reunião de 23 de Novembro de 2021, mas, ajuntou, o encontro “nem sequer teve quórum” e nem todos os membros deste órgão foram convocados e ou permitidos nele participarem.

Os sindicatos de São Vicente referiram-se ainda à “alegada dívida” que a secretária-geral disse terem e por essa razão não lhes ser permitido votar nos congressos, mas, conforme Tomás Aquino, desde 2005 ficou afixado o pagamento de 10 por cento (%) das suas receitas, mas quando Joaquina Almeida entrou “aumentou esses montantes na ordem dos 100%”.

“Como os estatutos dizem que os sindicatos com quotas em dívidas não podem participar do congresso, utilizou esse “expediente” para afastar tanto os sindicatos, por ela considerados devedores, como os membros do Conselho Nacional que pertencem a esses sindicatos”, explicou.

No rol das denúncias entra ainda “pseudossindicatos” alegadamente criados por Joaquina Almeida com o objectivo, asseverou, de “arregimentar apoios e votos” para o congresso.

Tomás Aquino tomou como exemplo um sindicato fundado recentemente na Boa Vista, e que já considerado membro da central sindical, mas “sem ainda ter os seus estatutos publicados no Boletim Oficial”.

Devido a esta situação, os sindicatos em São Vicente sentem-se, segundo a mesma fonte, “tristes, defraudados e preocupados” por ver quer que a “UNTC-CS está a ser destruída”.

Questionado ainda sobre o posicionamento de Joaquina Almeida, na manhã de hoje a um programa da Rádio de Cabo Verde (RCV), de que em São Vicente está “o olho do furacão” para a sua administração, Tomás Aquino advogou estarem os sindicatos, que estiveram na génese da UTCC-CS e que a “salvaram” nos anos 90, a “tentar resgatá-la outra vez”.

LN/CP

Inforpress/Fim

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