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São Vicente: Sindicato acusa Governo de “faltar a compromissos assumidos” com a classe dos profissionais da saúde

Mindelo, 10 Mar (Inforpress) – O Sindicato da Administração Pública (Sintap) culpou hoje o Governo por “não assumir compromissos rubricados” com os profissionais de saúde, por “falta de interesse” perante os problemas da classe e por se remeter ao “silêncio”.

Em conferência de imprensa hoje, no Mindelo, o secretário permanente do Sintap, Luís Fortes, ladeado por um médico, um enfermeiro e uma ajudante de serviços gerais, declarou que estão esgotados todos os recursos de diálogo com o Ministério da Saúde e que agora, junto dos profissionais, será agendada a nova acção para “fazer valer os seus direitos”.

“Claro que a classe é muito sensível ao momento de pandemia e provavelmente a acção poderá passar por manifestação, greve de zelo e outras formas”, concretizou Fortes, que lembrou que as reivindicações “são antigas” e que a acção dos sindicatos “não tem a ver com ciclos eleitorais”, ou seja “vai continuar independentemente do ciclo eleitoral”.

O médico e representante sindical Tito Rodrigues, por seu lado, reforçou que os profissionais de saúde já se encontravam num processo de revindicação no ano passado, que foi suspenso devido à chegada da pandemia de covid-19.

“Houve um consenso dos profissionais da saúde em não reivindicar publicamente, demos um tempo ao Ministério da Saúde, e a partir do mês de Setembro pedimos que fosse reiniciado o processo, mas a partir daí não recebemos resposta”, explicou o médico.

Por isso, continuou, neste momento “convém manifestar publicamente” a posição da classe, que “não pode ser ignorada”, pois, sintetizou, desde o início deste “longo processo reivindicativo” os profissionais de saúde demonstraram “frontalidade, solidariedade e lealdade” para com a instituição Ministério da Saúde.

“Contudo, não podemos admitir que nos faltem ao respeito quando não recebemos uma única resposta do Governo, quando solicitado”, vincou o médico Tito Rodrigues.

Do rol de reivindicações divulgado na conferência de imprensa de hoje, em São Vicente, o Sintap apontou “questões importantes” a resolver nas carreiras médica e de enfermagem, “a muito esperada” carreira dos técnicos de saúde e a “revisão profunda” da “situação específica” dos ajudantes de serviços gerais e do pessoal afecto à Delegacia de Saúde.

Sem olvidar o impacto da pandemia de covid-19 “de forma profunda” em “todas as vertentes da vida do País”, Luís Fortes assegurou que ela veio também “pôr a nu muitas das fragilidades” resultantes de situações denunciadas anteriormente pelo sindicato e pelos profissionais de saúde.

Outra reivindicação da classe é a formação dos recursos humanos, que, segundo o sindicalista, é um sector que tem sido “deixado de lado” nos investimentos que se têm feito na área da saúde, o mesmo em relação à reposição dos direitos adquiridos.

Denunciou ainda alegados incumprimentos na actualização dos salário e dos valores das horas extraordinárias dos ajudantes de serviços gerais, o incremento de contratos precários, ausência de uma carreira para o pessoal técnico e ainda “insuficiência” de uma política e planos de formação/especialização médica, mas também para as demais categorias profissionais.

Em relação ao funcionamento do Hospital Baptista de Sousa, Luís Fortes denunciou a ausência de um especialista em Neurologia, banco de urgências de pediatria sem pediatras em número suficiente e sem um médico intensivista, com médicos pediatras “obrigados” a trabalhar em turnos de 24 horas de três em três dias.

“A carência de recursos humanos no hospital é gritante”, denunciou Luís Fortes, que indicou que “não há reposição de médicos especialistas” nos sectores da Pediatria, Ortopedia, Cirurgia, “faltam anestesistas, neurologistas e outras especialidades médicas”.

Por fim, o representante do Sintap classificou de “reconfortantes “as condecorações do Governo à classe dos médicos e dos enfermeiros, mas lembrou que tais distinções “não substituem” os direitos e as melhores condições de trabalho que os trabalhadores de saúde de São Vicente “necessitam e merecem”.

“Os governantes não podem cair na tentação de excluir os profissionais e seus representantes dos processos de decisão de todas as mudanças que se demonstram necessárias”, finalizou o secretário permanente do Sintap, estrutura que “continuará presente e disponível” para continuar a defender a saúde dos cabo-verdianos e os direitos dos profissionais de saúde.

AA/ZS

Inforpress/Fim

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