São Vicente: SIACSA denuncia “clima de medo” entre os trabalhadores para expor reivindicações

 

Mindelo, 19 Jan (Inforpress) – O presidente do Sindicato da Indústria, Agricultura, Comércio, Serviços e Afins (SIACSA) declarou hoje, no Mindelo, que “há medo entre os trabalhadores” para expor suas reivindicações e que os mesmos se encontram “oprimidos em São Vicente”.

“Sem vontade de falar, ficam com os seus problemas por dentro, com medo de perder o emprego ou então para que não sejam mauzinhos para com os seus responsáveis”, ajuntou Gilberto Lima, em declarações à imprensa, no final de uma visita a São Vicente.

O sindicalista, à solicitação dos jornalistas para explicar a forma como se dá esse alegado medo, referiu que os trabalhadores falam na questão de represálias e que podem sofrer se denunciarem certas situações.

“Pude constar que existe um sentimento de revolta por dentro, entre os profissionais que contactei, que guardam para si as reivindicações”, concretizou a mesma fonte.

Sobre os problemas enfrentados pelas classes que abordou, Gilberto Lima começou pelos amarradores de navios do Porto Grande que pedem, segundo a mesma fonte, melhores condições de trabalho, meio de transporte e falam ainda de excesso de carga horária.

Relativamente ao corpo de estiva, o sindicalista disse que existe uma “situação preocupante” , pois os trabalhadores que operam nos pesqueiros espanhóis e também na salmoura “não têm nenhumas condições de higiene, saúde e segurança no trabalho”, ou seja, estão “sem materiais de protecção” para o efeito.

Pede por isso à Enapor para fazer tudo para evitar que tais situações continuem, que arranje meios apropriados para os trabalhadores , pois, em caso contrário, o SIACSA, ameaçou, vai accionar a Inspecção-geral do Trabalho.

Para além disso, ainda na Enapor, Gilberto Lima disse ter constatado um outro problema que se relaciona com o novo regime jurídico dos serviços portuários e do trabalho portuário e o regulamento interno da empresa, propostas que o sindicato promete analisar, por haver questões que “brigam” com o Código Laboral.

“Vamos exigir que a classes tenha um salário fixo mensal para evitar questões ligadas ao subsídio de férias, média salarial e outras, mas tanto em São Vicente como em outras ilhas”, precisou.

Gilberto Lima adiantou, por outro lado, que existe uma outra questão relacionada com o Acordo Colectivo de Trabalho (ACT) das empresas de segurança privada, que foi acordado e que deveria entrar em vigor em meados do corrente mês, que os trabalhadores aguardam que tal se concretize até dia 31 do corrente.

“Vamos continuar a trabalhar aqui em São Vicente, pois , as pessoas, mesmos os decisores políticos, esqueceram-se das questões dos trabalhadores e foram directamente para a política e os trabalhadores estão a passar um mau bocado nesta ilha”, concluiu o presidente do SIACSA, que vai regressar ao Mindelo no mês de Março para se reunir “com todos os sectores de actividade” e ver “se conseguimos alavancar de novo o sindicalismo” na ilha.

AA/JMV

Inforpress/Fim

Facebook
Twitter
  • Galeria de Fotos