São Vicente/Reportagem: Estrangeiros desenrascam-se bem na língua crioula

Mindelo, 21 Fev (Inforpress) – Os estrangeiros que vivem em São Vicente, desde libanês, senegalês e nigeriano, afirmam desenrascar-se bem no crioulo, embora com algumas dificuldades pelo facto de haver muitas variantes ou então na pronúncia das palavras.

Neste 21 de Fevereiro, Dia Mundial da Língua Materna, a Inforpress tentou saber como os naturais de outros países lidam com o crioulo.

O libanês Imad Hark, que reside em Cabo Verde desde 1999, é um daqueles que fala o crioulo com mais fluência, muito também por ter tido uma professora que o ensinou nos primeiros tempos.

“Nos primeiros meses foi difícil, mas depois comecei a entender que o crioulo mistura muito o inglês e o francês, e sempre que me faltava algum vocabulário tentava buscar nestas línguas”, disse este comerciante, que foi aprimorando o seu crioulo com o tempo e hoje não tem problemas para entender, nem falar e escrever.

Neste momento, Imad Hark até utiliza a língua materna cabo-verdiana para se expressar com pessoas de outras nacionalidades.

“Por exemplo, eu não sei falar chinês, então quando vou fazer compras numa loja chinesa utilizo o crioulo para comunicar com eles”, disse.

Esta mesma “táctica” utilizada por Machel Cole, natural da Nigéria e há 28 anos no arquipélago, dois destes na cidade da Praia e o restante no Mindelo e que disse não ter dificuldades em falar esta língua, que aprendeu ouvindo as outras pessoas falarem e também em noticiários.

“Falar crioulo é fácil, porque não tem dicionário e nem regras, então temos é que prestar atenção para captar as expressões”, realçou, garantindo também facilidade em entender as várias variantes destas ilhas, “é fácil entender, porque o crioulo é o mesmo, só o sotaque é que muda”.

Estes mesmos factores que ao senegalês Yousouss Sene se apresentam como “complicações”, por ter algumas dificuldades em entender quando as pessoas “falam muito rápido”, ou então com algumas variantes, por exemplo de Sotavento, uma vez que desde que chegou a Cabo Verde, em 2011, viveu somente em São Vicente.

“O crioulo é um bocado difícil porque não tem dicionário e depois é uma língua muito oral”, lançou este comerciante da Praça Estrela, que, entretanto, confirmou se desenrascar “bem” com os clientes, utilizando esta língua aprendida só através do ouvir e tentar falar e na convivência com os amigos que foi fazendo em São Vicente, desde que chegou para trabalhar como vendedor ambulante.

Já Françoise Ascher, francesa, e Lindin, chinesa, com os mesmos 14 anos de residência na ilha, ainda hoje asseguram ter um “vocabulário pobre”, que não lhes permitem expressar com “maior facilidade”.

Françoise Ascher confirmou até ter tido aulas com um professor, mesmo assim perde-se “um pouco”, principalmente se for em conversas não presenciais, por exemplo por telefone.

“O Crioulo é mais difícil de aprender, porque não encontramos pelo menos duas pessoas que falam o mesmo crioulo e os cabo-verdianos quando falam adoram comer as sílabas”, realçou esta jornalista de profissão, que, entretanto, tem no seu currículo dois livros referentes a Cabo Verde, sendo um deles sobre os Rabelados, mas todos escritos em francês.

“Gostaria de ter um vocabulário para, por exemplo, ter discussões mais académicas, mas até agora só consigo exprimir-me no básico”, reforçou, mas ainda assim “satisfeita” por entender e fazer-se entender com os artesãos que lhe fornecem produtos para a sua loja de artesanato.

Lindin é um caso mais crítico, porque mesmo com mais de uma década em São Vicente, segundo a mesma, só consegue dizer palavras como preços e alguns nomes de artigos, que tem na sua loja.

“Conheço poucas palavras, que nem dão para ter um bom diálogo com as minhas amigas daqui”, considerou.

LN/JMV

Inforpress/Fim

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