São Vicente: Quinze anos depois rapper Batchart regressa à “sua” escola para motivar alunos (c/áudio)

*** Por Américo Antunes, da agência Inforpress ***

Mindelo, 09 Nov (Inforpress) – A coordenação da disciplina de Língua Portuguesa do Liceu José Augusto Pinto, sediada no Mindelo, pensou numa forma de incentivar os alunos à produção literária e chamou o ex-aluno Batchart, ídolo da maioria, para contar a sua história.

É que o liceu concluiu, nas suas pesquisas, que os alunos, hoje, estão “muito ligados” à música, aos produtores e aos autores, daí convocar um ex-aluno e músico para contar a sua história, por um lado, e, por outro, “fornecer aos alunos textos autênticos na sala de aula”.

O rapper não o fez por menos, ele que integrou a geração que inaugurou o liceu, há 15 anos, e, perante uma plateia de alunos do 11º e 12º anos, “despiu-se” em relação ao seu passado, de aluno, na música e na vida profissional, ele que “nunca foi um aluno brilhante”, começou por dizer.

“Volto completamente diferente de como daqui saí, ainda bem que as mudanças acontecem, transformando-nos na evolução, por isso vim aqui para passar um pouco da minha história como um ex-aluno”, reforçou.

Aliás, admitiu, “se havia um aluno na minha turma que os professores diziam não ia dar ninguém na vida, esse aluno era eu”, afirmou, uma forma de mostrar aos jovens de hoje que “tudo é transformação e processo”, e que o dia de amanhã depende do esforço e da transformação de cada um.

Batchart, para este ciclo de conversas com os jovens alunos do 11º e 12º anos, que deve chegar à casa das duas centenas, trouxe como pano de fundo o seu mais recente single “Metamorfose”, que gira à volta da transformação da lagarta em borboleta.

Isto porque, para o rapper, a sociedade actual “idolatra borboletas, quer voar”, mas “não está disposta a fazer o sacrifício de rastejar” na sua etapa de transformação, qual lagarta no seu processo de metamorfose.

Mostrar, ajuntou, que tudo não tem de ser necessariamente “fatalidade” e que a pessoa, neste caso ele Batchart, ou o músico, que hoje admiram, tem uma dimensão humana como eles, pode contar a sua história, que é a da maioria, como ele, oriundo de um bairro social.

“Histórias de desgraça passam rápido, mas necessitamos contar outros tipos de história, porque a inspiração e a motivação vêm de histórias positivas”, concretizou Batchart, psicólogo de formação, que pediu aos jovens para apreenderem “um pouco” com a sua história, ou seja, as vezes em que acertou, mas, sobretudo, vincou “naqueles momentos em que não acertei”.

No fundo, concretizou, mostrar que todo este processo significa que o dia de amanhã depende necessariamente do esforço pessoal de cada um, ontem e hoje.

E quando, no final da sua comunicação, sempre de pé, em improviso, solicitou perguntas à plateia, pontificaram questão sobre a música e sobre a vivência artística de Batchart, como quem dá razão à coordenação da disciplina quando concluiu que os alunos, hoje, estão “muito ligados à música”.

Batchart não estranhou, até porque, disse, a música mobiliza muita gente, na certeza de que, pessoalmente, consegue “mais e melhor” comunicação com os jovens através da música do que através das ferramentas tradicionais.

Mais ainda, sintetizou, quando tem a possibilidade de falar com gerações através da música, no momento em já se encontra “ultrapassado, em relação ao rap, o discurso do tradicional sim ou não, o que é bom”.

“Estou na música para criar uma rotura, para me demarcar claramente do que tem sido feito, porque o rap crioulo tem neste momento uma importância grande na música de Cabo Verde e já consegue mobilizar muita gente”, concluiu.

AA/FP

Inforpress/Fim

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