São Vicente: “Qualquer violação aos direitos do doente mental significa um atentado aos pilares da democracia” – psicólogo

Mindelo, 11 Jun (Inforpress) – O psicólogo Ravy Medina defendeu hoje, no Mindelo, que qualquer violação aos direitos dos doentes mentais afigura-se “um atentado aos pilares da democracia” em Cabo Verde, daí a necessidade de prevenir o “estigma e a exclusão”.

Assim, colocando a tónica na prevenção, Ravy Medina decidiu organizar um ciclo de palestras que começou hoje e termina na sexta-feira, no Mindelo. Ao longo destes dias, o objectivo é elucidar o público sobre os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais.

“Pretendemos iniciar um debate que sabemos que irá repercutir-se na prevenção da ocorrência de uma das maiores violências simbólicas, cometidas contra pessoas com transtornos mentais, que são o estigma e os estereótipos sociais”, afirmou o psicólogo que considera serem essas, muitas vezes, as razões da “exclusão e discriminação” sociais.

Nesse sentido, Ravy Medina diz ter-se associado a diversas entidades e personalidades que servem de “canais” para levar essa mensagem, entre estas a Comissão Nacional de Direitos Humanos e Cidadania (CNDHC) e a Associação de Promoção da Saúde Mental – A Ponte.

Estas foram as organizações responsáveis pelas intervenções do primeiro dia do ciclo de palestras que tem lugar no Centro Cultural Português do Mindelo.

A CNDHC esteve representada pelo activista social sanvicentino, Alveno Soares, promotor do primeiro curso de direitos humanos promovido nas cidades do Mindelo e da Praia, com 25 e 27 formandos, respectivamente. Na sua opinião, é necessário lembrar a noção de direitos “muitas vezes esquecida”, ainda “mais quando se fala de doentes mentais”.

Em representação de “A Ponte”, a psicóloga clínica Elizabete Monteiro afirma que na sociedade cabo-verdiana há vários estigmas e preconceitos, em que “a doença mental não é compreendida e nem as pessoas se interessam por esse tema. Daí que tem sido alvo de ignorância e de reclusão”, revela a mesma fonte.

“Esses estereótipos tanto dificultam o exercício de uma cidadania activa, como condicionam o acesso a cuidados de saúde adequados que levam ao agravamento do quadro clínico e psiquiátrico desses indivíduos”, acentuou – factores que, na óptica da psicóloga, podem causar o “isolamento” e consequentemente o “suicídio”.

Assim, por causa desses riscos, o curador do ciclo de palestras assegura ser necessário “desmistificar” os direitos das pessoas com transtornos mentais.

“Qualquer violação aos direitos do doente mental significa um atentado aos pilares da democracia, significando ser um  atentado à humanidade”, reitera Ravy Medina.

As palestras prosseguem nos próximos dias, até sexta-feira, com a intervenção de outras entidades e personalidades, entre elas a antropóloga Celeste Fortes, que incidirá sobre  “Relações de género em Cabo Verde e Direitos Humanos: uma abordagem antropológica”.

LN/AA

Inforpress/Fim

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