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São Vicente/Projecto “Outros Bairros”: “Primeiramente deve-se saldar a dívida social para com estas pessoas” – arquitecto brasileiro

Mindelo, 02 Mai (Inforpress) – O arquitecto brasileiro Manoel Ribeiro, que fará a coordenação metodológica do novo projecto do Governo “Outros bairros” em São Vicente, defendeu hoje que, primeiramente, se deve “saldar a dívida social” para com os moradores destas zonas.

Manoel Ribeiro, que falava na tarde de hoje à Inforpress e à TCV, na sequência da sua apresentação “Aprendendo com as favelas”, explicou que participação no projecto, agora iniciado, advém do programa realizado há quatro anos no Escola Internacional de Arte do Mindelo (M-EIA) “No te ne Camin”, que permitiu a investigação no bairro Alto Bomba, em Monte Sossego, o primeiro a receber as intervenções, que posteriormente serão alargadas a outras da cidade do Mindelo.

Neste sentido, segundo a mesma fonte, conseguiu-se estabelecer “algumas carências e anseios” e ver que de uma “maneira muito barata e simples” se poderia responder a estas demandas.

Este trabalho que foi publicado no “site” africano Buala e com a repercussão fez com que voltasse a Mindelo para trabalhar ao lado do arquitecto Nuno Flores, que fará a coordenação geral do projecto “Outros bairros”.

“Nós estamos trabalhando já com a comunidade para levantar uma metodologia, que possa compor o manual, que pode dar suporte à implantação do programa nacional de recuperação de bairros informais”, salientou Manoel Ribeiro, referindo à sua experiência de 25 anos de reordenamento de favelas no Brasil.

O arquitecto considerou que, primeiramente, se deve “entender as favelas como expressão urbanística da dívida social para com estas pessoas, que devem ser saldadas”.

Outro ponto comum encontrado entre as situações brasileiras e cabo-verdianas é o de envolver as populações na definição do que “realmente precisam”.

“Quem estabelece as suas prioridades é cada um e não é um técnico que vai dizer”, defendeu, adiantando que de seguida será “entrar nas comunidades, vivenciar, perceber as dinâmicas de vida e depois partir para o diálogo, com quem, com que tempo e como”.

Neste sentido, ajuntou, se poderia tomar como exemplo a iniciativa aplicada no Brasil com a “Zona especial de interesse social das cidades”, de dar valor ao que lá está, para poder ser melhorado, e não tentar impor normas, visto que, sentenciou, “a legalidade e ilegalidade dependem de um decreto”.

E para este melhoramento, Manoel Ribeiro apontou “outras soluções” como construção de escadarias, drenagem de águas residuais, reservatórios de água para distribuição, enfim “soluções específicas de uma malha urbana específica”.

O especialista em reordenamento urbanístico pretende dar corpo a este trabalho durante a sua estadia de dois meses em São Vicente e auxiliando-se da primeira geração de arquitectos, que participaram no “No t ne camin”, e que, a seu ver, têm os olhos voltados para este tipo de problemas e que ainda estão fora do mercado informal de arquitectura.

Após apresentação do arquitecto brasileiro seguiu-se uma mesa redonda sob a temática “Como será o futuro dos bairros informais em Cabo Verde”, que precedeu ainda ao lançamento público da iniciativa “Outros bairros”, que tem o arranque em São Vicente.

“Outros bairros” é um projecto do Governo, através do Ministério das Infraestruturas, Ordenamento do Território e Habitação, que se propõe intervir nos bairros informais de Cabo Verde, com a missão de contribuir positivamente para a sua transformação e mudança, através da reabilitação, revitalização e acessibilidades.

LN/CP

Inforpress/Fim

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