São Vicente: Projecto de investigação sobre parentalidade responsável pode ficar pronto em 2023

Mindelo, 14 Jun (Inforpress) – A investigadora Celeste Fortes, do Centro de Investigação em Género e Família (CIGEF), da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), admitiu hoje que o projecto de investigação sobre parentalidade responsável pode ficar pronto no segundo semestre de 2023.

A também coordenadora do projecto falava na abertura do seminiário para a recolha de subsídios para desenhar o referido projecto, na manhã de hoje, na Faculdade de Educação e Desporto (FaED), da Uni-CV, em São Vicente.

O processo de recolha de subsídios vai até ao final do corrente ano e, ao longo do próximo ano, pretende-se fazer a investigação no terreno e, no segundo semestre de 2023, iniciar as acções nas comunidades, em diálogo com instituições governamentais e não-governamentais.

“Nós fazemos investigação, mas elas não ficam dentro da Academia, e esta é uma das valências do CIGEF, vamos construir produtos que façam a ponte com políticas públicas e com a sociedade no geral”, concretizou a mesma fonte, que, neste caso, fala em projecto de investigação “mais robusta”, que recebe “forte engajamento” da Uni-CV e de outras instituições.

O Centro de Investigação em Género e Família (CIGEF), da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) tem trabalhado em questões sobre violência baseada no género, dinâmicas familiares e relações de género, e ao longo deste percurso efectuou “alguma pesquisa” sobre as relações socioculturais em Cabo Verde, particularmente com as leis de família.

Celeste Fortes revelou que se constatou, com base em “alguma pesquisa exploratória”, algum desencontro entre essas leis e as práticas socioculturais, pois as leis do País são também um pouco o reflexo da história colonial, mas que “há esse desencontro no sentido da apropriação”.

“O que queremos dizer com isso é que quando vamos no quotidiano das relações ver porque é que homens e mulheres não recorrem à justiça para fazerem valer direitos e deveres em relação à responsabilidade parental notámos que, particularmente, nem todas as mulheres fazem essa apropriação”, revelou a investigadora.

Iniciou-se então, contou, uma fase em que se questionou o porquê, e, da pespectiva das Ciências Sociais, nota-se que uma das razões é o desencontro entre as práticas culturais, as expectativas que se têm sobre as mulheres, que elas têm que sustentar e cuidar, e “uma certa vergonha social” em recorrer à justiça e aos tribunais.

Tal é visto, precisou,  como que as mulheres estivessem a falhar no seu compromisso social de serem as responsáveis pelo sustento dos filhos.

“Sabemos que, apesar de em teoria haver esse discurso de que Cabo Verde é uma sociedade patriarcal, ela na prática, como temos estado a defender, é uma sociedade altamente matrifocal, centrada no papel das mães enquanto cuidadoras”, concretizou Celeste Fortes.

O projecto deve, por isso, intervir no domínio das relações de género, parentalidade responsável, masculinidades positivas e empoderamento sociocultural da sociedade cabo-verdiana para a apropriação das leis da família, sobretudo enquanto pessoas que recorrem à justiça para a intermediação dos conflitos familiares.

AA/HF

Inforpress/Fim

 

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