São Vicente: Professora leva alunos a “descobrir” mundo subaquático e “quer o mar” no currículo do ensino

 

Mindelo, 11 Jul (Inforpress) – A docente Nilza Ramalho considerou hoje que o mar “necessária e obrigatoriamente” deve fazer parte do currículo escolar cabo-verdiano, como disciplina, do jardim infantil ao ensino superior, pois “só se consegue defender aquilo que se conhece”.

A formulação da professora, com 23 anos de carreira, vai ser espelhada em tese de Mestrado, que irá defender no Instituto Politécnico de Viana de Castelo (Portugal), em parceria com o Instituto Universitário de Educação (IUE), e cujo trabalho de campo, na vertente educação artística, resultou numa exposição patente no Museu do Mar.

A docente envolveu 25 alunos do ensino básico de São Vicente neste trabalho, que se iniciou em sala de aula, no contacto com os livros, quando se encontrava a trabalhar o tema Cabo Verde, e que incluiu a respectiva pesquisa bibliográfica.

“A seguir fomos para o terreno com a natação, seguida de mergulho e culmina com esta exposição com o intuito de sensibilizar as pessoas para esta temática”, concretizou Nilza Ramalho, que defende, como pedagoga, que tem a obrigação de “partilhar e mostrar o que é nosso”.

“Como digo aos meus alunos, só se consegue defender aquilo que se conhece”, acrescentou, sublinhando que foi nesse sentido que quis “fazer algo” para mostrar que o mar deveria já, “desde os tempos longínquos”, estar na Educação, para que os professores façam aos alunos entender o mar para o defenderem.

A exposição, aberta hoje no Museu do Mar, no Mindelo, e que que continua patente até o dia 17, revela as fotografias e os desenhos dos alunos na “missão exploratória”, sendo interactiva, pois são as próprias crianças que estão a explicar o trabalho executado, o que viram e aprenderam.

Com o mar “sempre no centro de tudo”, o objectivo da mostra, ainda segundo Nilza Ramalho, é “tirar partido” dos artistas, pescadores e vendedeiras que, à medida que forem à exposição, irão oferecer aos alunos “momentos de partilha” sobre o mar, de “forma sólida”.

A professora, que diz ter uma relação “muito estreita com o mar”, desde a ilha de São Nicolau, onde nasceu, encontrou ainda a motivação para o trabalho quando constatou que a maioria dos cabo-verdianos desconhece a beleza do fundo dos “nossos mares” e nem sabe nadar, devido ao medo que está a passar de geração em geração.

“Como pedagoga tenho a obrigação de partilhar e mostrar o que é nosso”, concluiu, lembrando ainda que, como resultado desta experiência, muitas crianças aprenderam a nadar, o que reporta de “muito importante”.

AA/CP

Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos