São Vicente: Produtor diz que é “fundamental” saber sobre contributo da produção cinematográfica na economia de Cabo Verde (c/áudio)

Mindelo, 27 Out (Inforpress)- O produtor e consultor de cinema Moçambicano Pedro Pimenta, considerado um dos mais reconhecidos em África, defendeu hoje, no Mindelo, que é “fundamental” saber qual é o retorno que a produção cinematográfica dá à economia de Cabo Verde.

Pedro Pimenta falava à imprensa, à margem de um encontro com estudantes universitários no Mindelo, na sequência do Festival Oiá 2022.

Segundo o produtor, neste momento, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) considera que a indústria de cinema e audiovisual significa um volume de negócio na ordem dos 20 mil milhões de dólares para o continente africano.

Sustentou que há estudos que indicam que, “já em 2022, tomando as medidas necessárias”, pode-se “chegar rapidamente aos 50 mil milhões de dólares”, o que é “relevante para o continente”.

Concretamente para Cabo Verde, defendeu, há essa necessidade de saber esse retorno e é preciso que os profissionais ajudem as autoridades nacionais a reflectirem e a desenharem estratégias para o sector. Até porque, lembrou, isso justifica nos pedidos de financiamento às autoridades para desenvolver este sector.

“Eu insisto muito que é responsabilidade dos profissionais fazerem esse trabalho de casa para poderem apresentar às autoridades alguma realidade que existe, mas que não vemos porque está dispersa. É preciso que alguém faça o trabalho e diga olha, essa actividade já significa tanto para a economia nacional”, explicou.

Segundo Pedro Pimenta, à medida que as autoridades derem conta do impacto que a actividade tem sobre a economia não só em termos monetários, ou seja do dinheiro que é gasto para se produzir com conteúdos, mas em termos de emprego que é criado, elas vão pensar de outra maneira.

“Vão deixar de considerar a profissão como uma profissão de pedintes, porque existe essa noção de que o cineasta ou profissional desta área está sempre a exigir que lhes dêem alguma coisa e transforma-se num pedinte”, afirmou.

A seu ver, os cineastas têm o desafio de deixar de ser pedintes para começarem a ser actores do próprio desenvolvimento, numa relação com as autoridades que têm o poder e a responsabilidade de gerir um País e uma sociedade.

Isso, alegou, só se consegue mostrando “por A mais B” que a produção cinematográfica tem esse potencial.

“Pode gerar emprego directo e indirecto, estimular fortemente o turismo, restauração hotelaria, aluguel de transportes. São tantas actividade que podem estimular, que passam a ter outro valor e a relação e as comunicações que se estabelecem entre os profissionais e os seus governos passam a ser de outra maneira”, recomendou.

Por sua vez, o sócio-gerente do festival Oiá, Ednilson Almeida, mais conhecido por Tambla Almeida, explicou que a vinda do produtor a Cabo Verde deve-se ao desafio do Festival Oiá 2022, que, nesta edição, teve uma “profunda conexão com o continente africano”.

“Estamos conscientes das várias oportunidades que têm surgido no continente, neste sector, e qual é que é margem de crescimento e não queremos ficar para trás. E, de facto Cabo Verde tem estado ligeiramente atrás naquilo que é a média africana em termos de indústria cinematográfica e queremos trabalhar com gente com mais experiência. E é neste sentido que temos o melhor prazer em ter aqui um produtor com a dimensão do Pedro Pimenta”, justificou.

CD/JMV
Inforpress/Fim

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