São Vicente: “Nunca tive ambição de ser primeiro-ministro por desaforo ou por obsessão”-UCS

Mindelo, 07 Mar (Inforpress) – O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, disse sábado no Mindelo que nunca teve a ambição de ser primeiro-ministro por “desaforo ou por obsessão”, de fazer tudo e cilindrar tudo e todos para chegar ao Governo.

Ulisses Correia e Silva falava durante a apresentação do livro “Ulisses, Governar Diferente”, de António Monteiro, resultante de uma conversa de vários meses entre o jornalista e o actual primeiro-ministro.

Segundo o mesmo, “foram contingências, acontecimentos, progressões, participações, que foram fazendo as coisas acontecer” até chegar ao Governo.

“Quando se faz uma coisa por sacrifício, então não faça porque dói, cansa, desestimula. Portanto, não pode ser sacrifício. É por vontade, por acreditar e por convicções e por estarmos ao serviço de ideias mais altas e mais nobres”, revelou o primeiro-ministro.

Sobre o livro, Ulisses Correia e Silva defendeu que “governar diferente é um grande risco”, admitindo que há sempre riscos de mudanças em tudo, de quebrar o “status quo” do País e de gerir ciclos políticos.

Segundo o primeiro-ministro, o conceito de governar diferente traz a perspectiva de fazer uma “boa gestão” dos ciclos políticos, mas com efeitos transformadores que exigem tempo.

“Nós governamos e gerimos com ciclos políticos e a gestão do tempo é a variável mais complexa. Tem efeitos e acções que você sabe à partida que para produzir efeitos estruturantes não precisam de cinco anos, precisam de 10, às vezes de 15. Mas é só assim que se fazem transformações”, elucidou.

Adiantou que isto implica “conjugar bem onde é que se quer chegar, com o tempo que é necessário, com a gestão dos ciclos políticos que são as eleições”, que “muitas vezes provoca tensões nos processos”.

Esta situação, segundo a mesma fonte, é evidente em vários sectores. Isto porque, defendeu, “no País onde a predominância do Estado e da pobreza são fortes e onde há situações de desemprego, as respostas do dia-a-dia, do imediatismo, às vezes sobrepõe-se à necessidade de criar futuros programados e que melhorem a vida das pessoas”.

Conforme explicou, isto acontece ao sair de uma economia de base estatal para uma economia de base privada, que provoca alterações substanciais, mas por vezes provoca tensões.

Outra situação, sustentou, é a saída de uma abordagem de desenvolvimento social assistencialista para a autonomia, o que faz com que, muitas vezes, as medidas não são bem compreendidas para quem vive do imediato.

Também a educação, adiantou o primeiro-ministro, é um sector onde as transformações não se fazem num ciclo político.

Por sua vez, Maria Santos Trigueiros, que apresentou o livro, afirmou que a obra aborda “ todos ou quase todos” os domínios da vida da sociedade cabo-verdiana nas suas diversas vertentes, sob a óptica do primeiro-ministro.

“Estamos perante um manual rico, diversificado e abrangente multi e transdisciplinar. Uma obra não apenas de leitura, mas de estudo contendo análises profundas, bem articuladas, bem elaboradas e consistentes e com descrições e sugestões feitas pelo actual primeiro-ministro de Cabo Verde”, destacou.

CD/JMV
Inforpress/Fim

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