São Vicente: Navio Soby vai ser reparado porque ainda “tem muito a dar” a Cabo Verde – armador

 

Mindelo, 15 Mai (Inforpress) – O armador do navio Soby, depois de ver a embarcação  flutuar no início da tarde de domingo, afirmou que o próximo passo vai ser  a recuperação do navio que, segundo diz,   ainda tem “muito a dar” ao país.

Manuel Monteiro, que falava em exclusivo à Inforpress, e pela primeira vez depois que o navio se afundou no terminal de passageiro do cais de cabotagem do Mindelo, disse que o sentimento é de “muita alegria  e emoção” depois desse 22 dias de” muitas tensões e frustrações”.

“Foi um trabalho muito árduo e uma despesa grande, mas depois de todo o sacrifício que fiz para trazer o navio da Dinamarca e chegar aqui em Cabo Verde para, num período de dois anos, acontecer este problema não podia deixar de lutar por ele”, afirmou.

O armador do navio disse que  ainda não está em condições de avançar muita informação relativamente ao  prejuízo causado com o infortúnio, mas garantiu  à Inforpress que irá criar todas as condições para reparar o navio e colocá-lo de volta ao serviço do transporte inter-ilhas.

“Se Deus já me ajudou a levantar o navio também vai me ajudar a repará-lo porque Soby é um bom barco e acredito que está a deixar falta ao país”, avançou Manuel Monteiro, que acrescentou ainda  que o navio desempenhava mais um papel social que económico, fazendo as vezes viagens com apenas 30 passageiros o que não compensava economicamente.

O navio Soby voltou a flutuar no inicio da tarde deste domingo, 28 dias após o início da  operação de resgate, comandado pela empresa espanhola Underwater Contractor Spain (UCS).

O chefe da operação, Paco Francisco Vazquez, em entrevista a Inforpress, avançou que a equipa está “ bastante satisfeita”, isto depois de “várias tentativas frustradas”  e “muito desgaste físico”, que acabou por “abalar psicologicamente” os mergulhadores.

“Muita gente dizia que era impossível, mas para nós impossível não existe e continuamos a insistir até que finalmente conseguimos o nosso objectivo final que era fazer o navio flutuar na sua posição normal”, declarou.

Paco  Francisco Vazques explicou que o navio não afundou novamente nesta quinta-feira, quando voltou a adornar-se na água, mas sim estava a flutuar na posição errada, dai que, depois destes dois dias de descanso foi “mais simples” endireitar o navio com a ajuda de três gruas potentes.

É que, segundo explicou o chefe da operação,  foram encontradas duas rupturas de água no casco do navio que não tinham sido observadas no início, porque o barco estava “sentado no fundo”, e foi necessário proceder a soldaduras e cortes debaixo de água  para depois continuar os trabalhos de endireitamento.

Nesta operação de resgate do Soby participaram  oito mergulhadores da UCS, especialistas em recuperação de navios,   que trabalharam “arduamente” na descarga do navio e na retirada do combustível, operações que decorreram “sem nenhum sobressalto”, conforme garantiu  a mesma fonte.

Para fazer flutuar o navio, foram introduzidos seis balões de ar  no  interior do porão que, com ajuda de equipamentos de bombeamento de água, conseguiram fazê-lo subir,  para  depois, com a ajuda das três gruas, finalmente endireitar o navio.

A empresa espanhola UCS, em 2014, esteve, por coincidência, em Cabo Verde a serviço de uma pertolífera nacional, quando foi solicitada para ajudar nos trabalhos de resgate do navio Djon Miller, na ilha da Boa  Vista.

Em Espanha já realizaram, segundo Paco Francisco Valquez, vários trabalhos de resgate e recuperação de navios e porta-contentores, como por exemplo  o Tawe, de 280 metros, e do cargueiro  DENEB, de 200 metros.

Participaram também, juntamente com a empresa Taitan, na recuperação histórica do Navio Costa Concórdia, encalhada na Itália, em 2013.

EC/AA

Inforpress/Fim

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