São Vicente:  “Município não compactua com arrogantes e malfeitores” – Augusto Neves (c/áudio)

Mindelo, 11 Mar (Inforpress) – O presidente da Câmara Municipal de São Vicente acusou hoje os vereadores da oposição de não terem trabalhado durante todo este tempo de mandato e assegurou que não compactua com “arrogantes e malfeitores”.

Augusto Neves teceu estas considerações em conferência de imprensa hoje, no Mindelo, para reagir a declarações dos vereadores do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) e a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), que, na terça-feira, 08, também em conferência de imprensa,  exigiram a anulação de deliberações tomadas em sessão feita de “forma sorrateira”. 

Augusto Neves disse que estes vereadores que “entraram na câmara municipal anunciando o título doutores” e que São Vicente tem a câmara municipal com “mais doutores por metro quadrado, decepcionaram”, porque “o município jamais se compadece de arrogantes e malfeitores”   

“Chegaram cá com toda a arrogância, pretensões e vaidade, mas não fizeram absolutamente nada”, criticou, adiantando que os eleitos da oposição tiveram uma “grande surpresa”, porque “pensavam vir negociar terrenos e arrumar as suas vidas”, mas “ficaram no vazio”. 

Segundo a mesma fonte, os cinco vereadores da oposição, dois do PAICV e três da UCID, “tiveram azar” porque “encontraram uma equipa séria e preocupada” com a população da ilha.

Augusto Neves argumentou ainda que há “questões importantes” a serem decididos, entre os quais o uso do Fundo de Ambiente, que já está disponível, para aquisição de equipamentos de saneamento, e mesmo a asfaltagem do anel de ligação Ribeira de Julião – Ribeira de Craquinha, mas que estão a ser “emperrados” pelos vereadores da oposição. 

Estes e outros pontos, asseverou, constavam de cinco sessões camarárias convocadas neste ano de 2022, mas que não aconteceram porque os eleitos da oposição não aprovaram a agenda de trabalhos.  

Ademais, estes vereadores “profanam” que a situação da câmara está mal, mas recebem, segundo a mesma fonte, “caladinhos os salários e outras regalias todos os meses”.

“Já que a maior parte deles recebe dois salários, da câmara e da instituição de origem, então seria de bom-tom doarem um deles ao município ou a instituições de caridade”, acusou Neves.

Quanto à sessão em causa, Augusto Neves considerou que os eleitos estão a dar “informações erradas e maldosas” para enganar a população e, por isso, é “mentira” que, a reunião realizada num domingo, a 02 de Janeiro último,   tenha sido feita de “forma sorrateira”. 

A sessão, ajuntou, foi convocada para o dia 30 de Dezembro de 2021, mas os vereadores da oposição não compareceram na reunião convictos que a sessão não iria ser realizada.  

“Mas, a lei é clara e diz que quando não se pode fazer a reunião por falta de quórum, convoca-se a reunião 48 horas depois com o mínimo de 1/3 e foi isso que aconteceu”, afiançou, admitindo ser prática noutras câmaras de Cabo Verde e no exterior haver sessões depois das 18:00 e nos fins-de-semana.    

Na reunião realizada a 02 de Janeiro aprovou-se, segundo Augusto Neves, os pontos constantes da agenda, como a eleição do representante para a Zona Económica Especial Marítima – São Vicente (ZEEM-SV), que foi proposto por um vereador, a transferência de uma verba de uma rubrica para outra e também doacções que foram recebidas e depois ratificadas pela câmara municipal.  

O presidente lembrou ainda que já houve maiorias relativas na câmara municipal, mas que “trabalharam sem problemas”, contudo, reiterou, os vereadores actuais do PAICV e da UCID “só sabem exigir direitos e a palavra dever não está nos seus dicionários”. 

Questionado ainda sobre o Fórum Pensar São Vicente, realizado em Janeiro último, que parecia ter consenso de todos, o autarca asseverou que o evento só teve “sucesso” devido a colaboração do presidente e dos funcionários da câmara municipal.  

Augusto Neves respondeu ainda à denuncia dos vereadores de que ainda não assinou o memorando de entendimento do ano passado, argumentando  que o documento foi assinado “há mais três meses”, mas decidiu reter o documento devido às questões relatadas e porque os vereadores “querem competências do presidente”. 

LN/AA 

Inforpress/Fim  

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