São Vicente: Movimento Sokols insta autoridades a procurarem soluções para justiça cabo-verdiana (c/áudio)

Mindelo, 22 Fev (Inforpress) – O presidente do Movimento Sokols, Salvador Mascarenhas, exortou as autoridades a sentarem à mesa, debaterem e encontrar soluções para a justiça cabo-verdiana, que está numa “situação grave” e precisando ser resolvida com urgência.

O líder do movimento independente fez estas considerações na sequência da manifestação organizada pelos Sokols hoje, no Mindelo, a favor do advogado Amadeu Oliveira, que foi detido pela Polícia Nacional sábado, na cidade da Praia, para assegurar a sua presença no julgamento para o qual teria anunciado publicamente que não ia comparecer.

Salvador Mascarenhas disse ser a manifestação, que permitiu aos apoiantes concentrarem-se no largo ao lado do Tribunal da Comarca de São Vicente, uma “iniciativa cidadã para mostrar a indignação dos cidadãos perante o estado da justiça”.

“E aproveitando também claro a situação de Amadeu e o julgamento seu foi uma janela de oportunidade para demonstrarmos com mais força de que não estamos contentes com a situação da justiça em Cabo Verde”, considerou a mesma fonte, apelando ao Presidente da República, Governo e tribunais a debaterem o assunto e encontrarem uma solução.

Salvador Mascarenhas apontou o dedo também aos deputados, que, a seu ver, devem deixar de discutir “assuntos estéreis” e sentar à mesa para um ´brainstorming´ (tempestade de ideias, em português), para que o País se desenvolva.

“É preciso debater a justiça, nesse caso, e resolver e já. É uma urgência”, asseverou o activista, acreditando que a “pressão” do povo já teve resultados práticos, entre estas a de libertação de Amadeu Oliveira, que disse ter sido colocado em liberdade na tarde de hoje.

Até porque, a prisão do advogado, garantiu, foi um “desaforo” e um “abuso de poder”, já que este nem recebeu uma convocatória para o julgamento, que iniciou nesta segunda-feira na cidade da Praia.

O movimento Sokols tinha apelado antes para que a iniciativa de manifestação tivesse réplica em outras ilhas, mas Salvador Mascarenhas disse não ter conhecimento se o apelo teve efeito.

Mas, no caso de São Vicente, foram várias as pessoas que responderam e se deslocaram ao largo do Tribunal, empunhando cartazes com dizeres como “Justiça encapuzada, quando foste investigada”, “Queremos juízes que cumprem a lei”, “Estamos todos em perigo quando a verdade é um delito”, “Liberdade para Amadeu Oliveira”, “Justiça encapuzada serve do poder e nada mais”, entre outros.

Entre os manifestantes estava, inclusive, o pai de Hamilton Morais, policial assassinado no ano passado na cidade da Praia por um colega.
Joaquim Morais considerou que o “sistema inventou três juízes corruptos” para inocentar o assassino do seu filho.

“Em vez de condenarem o assassino do meu filho, foram defendê-lo. O Ministério Público chegou à conclusão que o polícia que matou o meu filho tinha intenção de matar, mas os três juízes corruptos chegaram a conclusão que o gajo não mandou matar”, sustentou a mesma fonte, para quem o “assassino do filho” esteve todo o julgamento a “falar mentiras”.

Joaquim Morais disse estar “ferido” e por isso Amadeu Oliveira é a sua voz.
Em conversa com a Inforpress, a advogada de defesa, Zuleica Cruz, confirmou que de facto a detenção tem a ver com o caso em que Amadeu Oliveira é acusado pelo Ministério Público de 14 crimes de ofensa e injúria contra os juízes do Supremo Tribunal de Justiça, Benfeito Mosso Ramos e Fátima Coronel.

LN/JMV
Inforpress/Fim

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