São Vicente: Movimento Sokols 2017 sai às ruas do Mindelo a 13 de Janeiro com foco na descentralização

Mindelo, 03 Janeiro (Inforpress) – “Uma descentralização que permite autonomia e felicidade a todos os cabo-verdianos” é o lema que inspirou o movimento Sokols 2017 a agendar uma segunda manifestação popular no dia 13 de Janeiro pelas ruas do Mindelo.

Depois do sucesso da primeira manifestação, realizada no dia 5 de Julho, Dia da Independência Nacional, o movimento da sociedade civil escolheu desta vez o Dia da Liberdade e da Democracia, isto porque, segundo avançou em entrevista à Inforpress o porta-voz, Salvador Mascarenhas, Cabo Verde precisa de uma “democracia com um patamar superior e que beneficia todos os cabo-verdianos”.

“Com 45 anos de independência continuamos com o mesmo sistema democrático, completamente ultrapassado, e a população já sente que é preciso mudanças reais, daí o nosso foco na descentralização”, explicou Salvador Mascarenhas, que classificou a manifestação como forma de levantar vozes que podem influenciar a alteração constitucional do modelo de governação.

Um outro ponto que leva o movimento Sokols 2017 a manifestar tem a ver com a distribuição do próprio Orçamento do Estado que, segundo afirmam, afigura-se de forma “injusta e desequilibrada”.

“Este orçamento é manifestamente negativo não só para São Vicente, no qual um cidadão mindelense vale menos de 5.000 escudos, mas para todas as outas ilhas periféricas que mereciam, pelo menos, uma discriminação positiva para promoverem o seu desenvolvimento” defendeu.

Além de São Vicente, o movimento Sokols 2017 pretende mobilizar, da mesma maneira, outros grupos da sociedade civil nas outras ilhas do país a aderirem à manifestação, isto porque, defendeu Mascarenhas, cada ilha tem potencialidades de gerar o seu desenvolvimento e de construir um futuro melhor, mas para que isso aconteça é necessário “desmantelar” o centralismo.

O grupo Sokols 2017 quer também que a população tenha mais voz e uma cidadania mais activa a nível da influenciação nas decisões que são tomadas pelo poder local através das Câmaras Municipais, de modo que os anseios dos cidadãos sejam ouvidos e atendidos.

Esta segunda manifestação vem também no sentido de reforçar as ideias já defendidas na realizada anteriormente, no que toca à conservação do património nacional, à criação de mais e melhores postos de trabalho, à melhoria da segurança e das condições de saúde, ao desenvolvimento da economia e autonomia de todos, sem esquecer a célebre frase “São Vicente é também 100% Cabo Verde”.

Carlos Araújo, um dos integrante do movimento, explicou por sua vez que esta manifestação não é do grupo Sokols 2017 mas sim da “própria democracia nitidamente exigindo o desenvolvimento”, que, segundo diz, manifesta através dos cidadão que sofrem as consequências das fragilidades do sistema. “Sokols é apenas um facilitador” sintetizou a mesma fonte.

Relativamente à iniciativa do Governo de criar pela primeira vez um ministério da Economia Marítima, sediado em São Vicente com um secretário de Estado residente, Salvador Mascarenhas considerou que é apenas uma resolução “cosmética e pouco significativa” e uma medida que não se encontra enquadrada numa política de descentralização, por não existir.

“É uma medida avulsa tomada sem contactar a sociedade civil e o mais estranho é que o ministro passará a ter dois ministérios um na Cidade da Praia outro no Mindelo o que só representará  mais custos”, considerou  o porta-voz do Sokols 2017.

Depois da manifestação, o Movimento Sokols 2017 pretende elaborar um caderno de reivindicações com base nos anseios da população e tornar-se num grupo de pressão e fiscalização das acções governativas central e local para levar Cabo Verde a um patamar mais “equilibrado, justo e harmonioso”.

Sokols 2017, inspirado no movimento de cultura cívica e intelectual que surgiu em São Vicente nos meados de 1932, é formado por um grupo de cidadãos que se dizem “apartidários, livres e independentes” e que definem como objectivo intervir junto da sociedade civil para a sua “consciencialização” acção social e política.

EC/ZS

Inforpress/ Fim

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