São Vicente: Ministro do Mar quer País “mais ambicioso” no sector das pescas e promete “atacar de frente” os problemas

Mindelo, 27 Jan (Inforpress) – O ministro do Mar considerou hoje, no Mindelo, que Cabo Verde precisa ser “mais ambicioso” no sector das pescas e anunciou que “definitivamente” é necessário “atacar de frente” os problemas e transferir recursos para o sector.

No final de uma visita, na tarde de hoje às empresas Frescomar e Atunlo Cabo Verde, Abraão Vicente disse ser esta a primeira análise e conclusão que retira desses dias como titular da pasta do Mar, apesar do “muito que já foi feito”.

“Vamos atacar os problemas de frente no sector da pesca e exigir que seja a centralidade da economia em Cabo Verde”, continuou o governante, que já identificou “a grande lacuna” dos armadores nacionais, que é que a falta de capacidade financeira para irem comprar atuneiros e outro tipo de embarcações no mercado internacional. 

É preciso criar mecanismos, lançou, e aproveitou para lembrar que hoje foi anunciado, no plano de retoma no sector económico, um pacote de 300 mil contos, o máximo de 20 mil contos por empresa, e a comparticipação do Fundo de Apoio à Pesca até 20%.

“É uma boa iniciativa, mas provavelmente há que ir ainda mais além se quisermos que o sector da pesca ocupe o lugar que lhe está destinado num País arquipelágico, no meio do atlântico e que quer ser uma plataforma internacional de negócios”, reforçou.

É que, para o ministro do Mar, é necessário “ver a floresta” e deixar de “correr atrás dos problemas”, como tem sido, ao longo de décadas, “a fazer a profissão de bombeiro”, ou seja, “apagar fogos e não antecipar os problemas”. 

Segundo Abraão Vicente, “é fundamental” que o sector das pescas receba “um investimento sério, apoios e avais do Estado”, tal como o sector aéreo recebeu no passado para que seja produtivo.

Ou seja, continuou, há que passar de uma política de consistentemente trabalhar e divulgar os apoios sociais, “que são importantes”, para a fase em que se apoia o sector da semi-industria e a industria da pesca.

“Cabo Verde tem de voltar para o mar, sim, mas isso significa que numa ilha como São Vicente tenhamos que repensar, inclusive, a oferta universitária no seu todo, pois não podemos continuar a formar profissões que na ilha e no norte não tem saída profissional, quando temos barcos parados que não operam porque não têm tripulação”, declarou.

Daí a criação do Campus do Mar, pelo que é necessário operacionalizar “os grandes projectos” ligados ao sector da pesca em Cabo Verde, trabalhar juntamente com a Enapor sobre as operações portuárias e a gestão portuária, ou seja, sintetizou, “há um longo trabalho a fazer” para que Cabo Verde de facto faça parte dessa indústria mundial.

“Sem a pesca Cabo Verde não teria provavelmente a pujança que teve até há pouco tempo atrás com 80% da exportação a vir do sector”, continuou, pelo que há que ver o sector “como um todo” e com capacidade armadora para ter a percentagem nacional, nomeadamente com o acordo com a União Europeia, e capacidade de atrair frotas internacionais para descarga em Cabo Verde.

Apontou ainda a capacidade de qualificação dos recursos humanos, tanto para a tripulação nos vários níveis das embarcações, como em terra e os serviços de apoio à logística da indústria da pesca e da transformação, conservação e técnicas de aproveitar tudo aquilo que são os acordos internacionais, a reciprocidade que Cabo Verde tem com outros países, como Mauritânia, Senegal, Portugal e toda a União Europeia.

“Cabo Verde, por não ter capacidade de pesca, nomeadamente nos nossos bancos principais como Nova Holanda, perto da ilha do Sal, não temos estado a conseguir tirar todas as vantagens”, declarou.

“É como termos o ouro e não o explorarmos, pois temos cinco bancos de pesca em Cabo Verde, um deles com sinais claros que tem sido explorado por barcos e armadores estrangeiros de uma forma extremamente elevada”, reiterou, ou seja, continuou, se esse “ouro” está localizado, sabe-se qual o período do ano que tem as espécies que o País precisa para alimentar a economia, quer dizer que há que “armar” os armadores cabo-verdianos para que eles participem nessa economia mundial.

Referindo-se concretamente às visitas à Frescomar e Atunlo Cabo Verde, disse que foi “muito frontal” com os seus interlocutores, no sentido de uma perspectiva de cooperação, pois “não podemos estar sazonalmente a ter conflitos laborais ou ameaças que, às vezes, cheiram a chantagem” sobre a disponibilidade de a empresa continuar ou não, porque há ou não derrogação.

Do seu programa de visita a instituições ligadas ao sector da pesca, na sexta-feira, 28, Abraão Vicente deve visitar o Mercado de Peixe do Mindelo e a Polícia Marítima, para se inteirar “mais detalhadamente” dos projectos e funcionamento das referidas instituições.

AA/ZS

Inforpress/Fim

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