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São Vicente: Mindelenses despedem-se com consternação de Onésimo Silveira (c/áudio)

Mindelo, 30 Abr (Inforpress) – Foram vários os mindelenses que quiserem dizer o último adeus ao “eterno” presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Onésimo Silveira, que “lutou incansavelmente” para “levantar” a nação, conforme o seu sucessor, Augusto Neves.

O político, diplomata e escritor Onésimo Silveira foi na tarde de hoje a enterrar na sua ilha natal, São Vicente, e cujo povo, mesmo em tempo de pandemia, não negou acompanhar-lo à última morada.

As cerimónias fúnebres iniciaram-se na câmara municipal, da qual foi o primeiro presidente em estado democrático, e onde o corpo esteve em câmara ardente desde das 10:00 de hoje, acompanhado por familiares, amigos e diversas personalidades do País.

O seu sucessor e actual autarca, Augusto Neves, descreveu Onésimo como um “diplomata fino e de profunda visão, controverso, polémico e pragmático que magnetizava toda a audiência, que tinha um poder de oratória inigualável”.

“Recordando sempre as suas raízes populares, mergulhando-se no povo, que ele amava e defendia, inspirando-se na criatividade popular para gerar na sua obra artística de elevado valor cultural e lutando incansavelmente para levantar a nação à condição de país digno”, sustentou.

Augusto Neves acredita que o político deixa um “legado” para Cabo Verde e São Vicente em particular, e “cujos feitos jamais serão esquecidos”.

Em representação do Governo, o ministro da Economia Marítima, Paulo Veiga, considerou, por seu lado, que Onésimo Silveira era “digno” de “todas as honras”.

“Um dos grandes intelectuais cabo-verdianos, conhecido também pela sua veia interventiva e de protesto sobre a condição humana e a do ser arquipelágico”, sublinhou a mesma fonte, admitindo que “Cabo Verde acaba de perder um distinto homem de letras, poeta e ensaísta e acima de tudo um grande democrata”.

Onésimo Silveira, ajuntou, foi um dos últimos de uma geração, que foi “estrutural para configuração dos limites de que hoje podemos chamar de cabo-verdianidade poética, idiossincrática, mas também cidadã e democrática”.

“O legado maior de Onésimo é o exemplo de participação cidadã como homem da cultura e que fez desta a arma de intervenção socio-política e de empoderamento de gerações e instrumento de afirmação da identidade da ilha de São Vicente, como exemplo de terra-mãe, a partir de onde projectou o seu ser cabo-verdiano”, sublinhou Paulo Veiga,

A cerimónia contou ainda com as intervenções da actual presidente da Assembleia Municipal de São Vicente Dora Pires e do seu antigo homólogo, Joaquim Sena, que exerceu a função quando ainda Onésimo Silveira exercia como presidente da Câmara Municipal de São Vicente.

O corpo do político, após deixar o Salão Nobre da edilidade, percorreu algumas artérias da cidade do Mindelo, como Rua de Lisboa, Avenida Baltazar Lopes e Rua 05 de Julho e passou pela Universidade do Mindelo, que chegou a atribuir-lhe o título de Doutor Honóris Causa ainda em vida.

O reitor da universidade. Albertino Graça, no seu pequeno discurso, lembrou assim esse reconhecimento feito e a amizade que nutriam entre si.

Após isso, o corpo foi levado a enterrar no cemitério municipal de São Vicente.

Onésimo Silveira, que faleceu nesta quinta-feira aos 86 anos no Mindelo, encontrava-se acamado há já alguns meses, segundo familiares.

Nasceu em São Vicente e doutorou-se em Ciências Políticas, pela Universidade de Uppsala (Suécia), em 1976.

LN/JMV

Inforpress/Fim

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