São Vicente: Micadinaia Fest com tema da descolonização abre primeira temporada do ano no CCM

Mindelo, 18 Mar (Inforpress) – A abertura da programação 2021 do Centro Cultural do Mindelo (CCM) vai ser marcada no domingo, 21, com diversas actividades enquadradas no Micadinaia Fest, que vão decorrer sob o tema-chapéu da descolonização. 

É que, segundo o director do CCM, António Tavares, a descolonização tem sido um dos aspectos que tem marcado “indelevelmente” todo o percurso do arquipélago, “como povo e nação”, um passado, sintetizou, “traumático, de fomes e mortes, de deslocações forçadas” para a terra longe. 

A descolonização, continuou a mesma fonte, tem sido usada para se referir ao processo de descolonização intelectual das ideias dos colonizadores, os quais “fizeram os colonizados se sentirem-se inferiores”, mas que para António Tavares “é muito mais” que simples libertação dos complexos deixados pelos traumas causados pela violência dessa época.

“Depois da descolonização territorial, um dos grandes passos para a descolonização total será descolonizar a educação, a política, a economia, a cultura e sobretudo descolonizar o corpo e a mente permanentemente, descolonizar os corações”, precisou António Tavares.

O programa do ciclo sobre a descolonização, que vai percorrer as quatro temporadas de três meses cada da programação anual do CCM, inicia-se às 18:00 de domingo, 21, com uma exposição de fotografias de Juliette Brinkmann e uma instalação no pátio, designada Ri-no-Centro-Negro, uma alusão ao rinoceronte, animal que, vindo da Índia, segundo Tavares, veio captar a imaginação da Europa e tornar-se um símbolo dos descobrimentos.

No mesmo dia, 30 minutos mais tarde, será apresentada a performance “Lápis Azul”, de António Tavares e Mateus Silva, este último conhecido por Têtês, que se baseia na vida de quem esteve nas andanças pelo mundo e pelas roças do trabalho forçado. 

A fechar o programa do dia, prevê-se ainda a palestra “Para Descolonização da Arquitectura”, com Jorge Dias, Nuno Flores, Emita Nzingha e moderação de Carlos Santos, seguida do concerto Ritmos das Ilhas, com Markus Leukel, com apresentação de toques tradicionais como batuku, funaná, morna, coladeira, mazurka e ritmos das festas da bandeira do Fogo e do São João. 

A entrada para as actividades é gratuita, com excepção do concerto musical, em que se paga 400 escudos. 

AA/HF

Inforpress/Fim 

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