São Vicente: Jovens querem expandir projecto para levar “Pex fresk” a domicílio à medida do bolso e gosto do cliente

Mindelo, 23 Nov (Inforpress) – Receber peixe de Monte Trigo, em Santo Antão, e levá-lo à casa de clientes, no Mindelo, inspirou dois jovens a criar o projecto Pex fresk (peixe fresco), que procura investidores na Cabo Verde Ocean Week para se expandir.

O projecto, apresentado na tarde de hoje no painel “Um mar de Oportunidades”, na 5ª edição da Cabo Verde Ocean Week, foi criado há um ano por Wendy Andrade e Judmilson Ferreira, na zona de Ribeirinha em São Vicente e, conforme explicaram, já trabalham com mais de 400 clientes a quem distribuem peixe que recebem directamente dos barcos de Monte Trigo e Tarrafal.

“Pex fresk surgiu na era da covid-19, no ano passado, em que fomos passar férias para a zona de Monte Trigo e muitas pessoas nos pediram para lhes trazer peixe. Então, pensamos em criar um projecto para ajudar as famílias que não conseguem ir ao mercado adquirir o peixe e criamos um pequeno negócio em que vendemos peixe conforme a disponibilidade monetária de cada um”, explicou Wendy Andrade.

Neste momento, avançou fazem entregas a domicílio de uma variedade de peixes como atum, esmoregal e garoupas, mediante encomendas, mas também apresentam aos clientes outros tipos de peixes “que pouca gente conhece como abroto e goraz”.

“Fazemos entregas a domicílio e se o lugar é perto a taxa é de 100 escudos, se for longe é 150 escudos e se for na Ribeirinha, onde temos o nosso projecto, é grátis. É um projecto que vai facilitar pessoas que queiram peixe fresco e de qualidade e as que não conseguem ir ao mercado. Por isso, funcionamos das 08:00 até às 21:30”, acrescentou a mesma fonte, para quem, “a ideia é transformar o projecto numa empresa, por isso, foram apresentá-lo no Cabo Verde Ocean Week para “procurar possíveis investidores”.

Segundo Judmilson Ferreira, que é pescador e natural de Monte Trigo, o peixe que levam à casa dos clientes é comprado directamente dos barcos que fazem o trajecto dessa zona piscatória até São Vicente. O mesmo garantiu que a qualidade do pescado é boa porque é conservado assim que é capturado.

“Começamos a trazer em caixas, depois em malas térmica, três meses depois compramos a nossa primeira arca, depois a segunda e agora estamos a investir em marketing. Na nossa página temos mais de 800 pessoas a seguir-nos e temos 420 clientes no Facebook e clientes de boca a boca. Temos muita procura e é por isso que queremos um lugar fixo onde podemos trabalhar com mais clientes”, destacou Judmilson Ferreira.

Além deste projecto, no mesmo painel, foram apresentados testemunhos de pessoas que investiram ou que trabalham na área da economia azul, casos do empreendedor Celestino Oliveira que lançou o navio de pesca que construiu, Flor de Oliveira, ao mar no mês de Maio para servir a comunidade piscatória de São Pedro.

“2018 foi ano que as embarcações tinham muito mais peixes no mar porque o peixe estava perto na baía do Mindelo. Um barco desta dimensão fazia duas a três voltas num dia. E estamos à espera dessa época fértil porque foi isso que nos inspirou a construir o barco para ter um rendimento para nós e para os 23 trabalhadores”, explicou o empreendedor que informou que para pescar em grande quantidade neste momento precisa ir até Boa Vista, fazendo 30 horas de viagem (ida e volta) e com elevados custos.

Por sua vez, o representante da Cooperativa Nacional dos Armadores de Pesca (CNAP), Suzano Vicente, falou da importância do cooperativismo no sector das pescas. O mesmo defendeu que, pela importância que o sector da pesca tem para o desenvolvimento socioeconómico do País é muito importante para aqueles que trabalham no sector produtivo e no sector administrativo estejam devidamente organizados.

“Não só organizar como empresa, passar a encarar a actividade como negócio, mas também estar devidamente organizado como um grupo e enfrentar os problemas e partilhar os riscos. De forma que organizados terão muito sucesso”, defendeu Suzano Vicente.

À sua apresentação seguiu-se KMindz com “Blue Hack e Smart Ports” e Katya Neves da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) com “Melhoria das cadeias de valor no contexto da Economia Azul: Pescas, Aquacultura,Turismo, Energia”.

CD/HF

Inforpress/Fim

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