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São Vicente: Jorge Sousa ou a voz crioula transversal aos sons do mundo

Por Letícia Neves*, da Agência Inforpress

Mindelo, 29 Jun (Inforpress) – Jorge Sousa, dono de uma voz considerada poderosa, está à-vontade quando canta em crioulo, em espanhol, inglês ou italiano e quer continuar a brindar o público com esse dom, para além dos 70 anos que festeja hoje.

De nome completo Jorge Manuel Monteiro Sousa, este “menino de morada” (centro da cidade do Mindelo) nasceu a 29 de Junho de 1948, já, acredita ele, com o destino por Deus traçado para ser cantor.

Entretanto, o ambiente familiar também ajudou, o pai, Joaquim de Sousa, era cantor e todos os irmãos também cantavam.

“Eu adorava ouvir música e cantava às escondidas porque os meus pais queriam que eu estudasse e não que fosse cantor”, lembra Jorge Sousa.

Assim, seguindo a sua paixão, mesmo à revelia, aos 19 anos integra o grupo “Os Caites” constituído por mais quatro jovens como ele e com quem teve as primeiras experiências de palco.

“Os Caites” foi o trampolim para o cantor chegar ao tão emblemático grupo musical Voz de Cabo Verde, aos 23 anos, que lhe permitiu viajar para países como Guiné Bissau, Angola e Portugal, numa primeira digressão que durou quase 10 meses.

“No Voz de Cabo Verde, Bana cantava músicas em crioulo e eu cantava as músicas estrangeiras”, afirma Jorge Sousa, que destaca assim a sua facilidade em aprender “muito rápido” qualquer tipo de música.

Ainda assim “insatisfeito” com os ganhos obtidos, o cantor decide emigrar, no início dos anos 70, para França, com o propósito de “crescer mais” e, quem sabe, lembra, gravar um CD.

Um sonho que não conseguiu concretizar logo à primeira, mas, nem por isso desistiu, e continuou a vida como técnico de laboratório de fotografias.

“Mas a música eu não larguei, cantava todos os fins-de-semana”, conta Jorge Sousa, que tinha como sua “casa” as associações portuguesa e francesa, hotéis e restaurantes franceses de Paris.

E é essa teimosia que tornou realidade, ainda nas terras de Napoleão, onde viveu por 36 anos, o primeiro trabalho “Sinal d’Amor”, em 1998, gravado com músicos cabo-verdianos como Paulino Vieira, Tói d´Bibia, Zé Tomás e o angolano Nanuto.

Um CD essencialmente de mornas, coladeiras e ainda a balada “Mund k kre”, da autoria de Dani Mariano, que permitiu França, Cabo Verde e o mundo conhecer essa “voz poderosa e auto-didacta”,   tanto no canto como na postura em cima de palco.

“Como naquele tempo não tínhamos nem internet nem nada, pedia informação aos marinheiros que viajavam para o estrangeiro de como é que tal cantor fazia e depois imitava”, afirma.

Dessa forma, Jorge Sousa diz ter ganhado “muita versatilidade” no palco, aliás, o lugar onde “melhor” se sente.

“Não gosto muito de estúdio, gosto mais de estar em cima do palco junto com o povo”, declara.

E esta é uma das razões que fizeram, com que, até agora, Jorge Sousa, 51 anos de carreira e 70 de idade, apenas tenha no mercado mais um CD além de “Sinal d’Amor”, este mais virado para músicas estrangeiras, gravado juntamente com um “amigo português”.

“Mas não quer dizer que ainda não vou a tempo de fazer mais um ou dois, até porque ainda vou viver mais uns 20 anos”, brinca o “ancião” que poderá ter razão se tudo depender do ar jovial que ainda conserva.

E é por todo esse percurso que Jorge Sousa vai ser alvo, na noite de hoje, num dos hotéis do Mindelo, de uma homenagem organizada pela Serenata Produções.

O mentor da iniciativa, Kicas Silva, lembra que a distinção vem na linha de iniciativas do mesmo tipo já concretizadas e que homenagearam nomes  como Malaquias Costa, Titina Rodrigues, Nhô Balta, Morgadinho e Djosinha.

Agora é a vez Jorge Sousa, cantor versátil, receber essa distinção com “muito respeito e amizade”, prometendo um espectáculo “extraordinário”.

A seu lado terá convidados como Mirri Lobo, Constantino Cardoso, Edson Oliveira, Dalila Silva, João Eugénio, Jeniffer Soledad, Cármen Silva, Lulu Sousa e Morgadinho.

*C/Américo Antunes

Inforpress/Fim

 

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