São Vicente: Isenção de taxas para vítimas de VBG não está a ser aplicada nos serviços de urgência – consultora (c/áudio)

 

Mindelo, 14 Dez (Inforpress) – A consultora Dionara Anjos afirmou, hoje, no Mindelo que a isenção de taxas moderadoras para as vítimas de Violência Baseada no Género não está a ser aplicada em todos os serviços de urgência, apesar da lei a instituir.

Dionara Anjos falava à imprensa à margem da formação para reforçar as capacidades dos profissionais de saúde em matéria da lei VBG, que arrancou hoje no Mindelo, organizada pela Associação Cabo-verdiana de Luta Contra a Violência Baseada no Género em parceria com o Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade do Género (ICIEG), no âmbito do projecto “Djuntu pa igualdadi” (Juntos para igualdade).

Segundo a consultora, durante a auditoria participativa, foi reportado desconhecimento da lei por parte dos vários profissionais da saúde e da Polícia Nacional, mesmo “diante de todos os esforços que têm sido feitos” ao longo dos dez anos da implementação da lei de VBG.

“Uma das lacunas evidenciadas foi que a isenção do pagamento de taxas não está sendo aplicada em todos os serviços de urgência. Além disso, foi identificado uma lacuna para as vítimas com dificuldades económica que realizam exames que são decorrentes dessa urgência. Elas deveriam ser beneficiadas com a isenção, mas não são”, explicou.

Segundo a mesma fonte, a lei de VBG também indica que os profissionais de saúde devem prestar um atendimento adequado às vítimas da Violência Baseada no Género.

Esse atendimento, concretizou, compreende não só o tratamento das lesões, porque geralmente os profissionais de saúde acabam cingindo-se às lesões, mas é necessário ter um atendimento mais sensível nas urgências para que as vítimas de VBG se sintam confortáveis e saibam que têm apoio.

“Esse atendimento garante o encaminhamento aos centros de apoio às vítimas que vão prestar um atendimento diferenciado, com apoio sociológico, jurídico e também com encaminhamento para apoio social”, ajuntou.

É neste sentido que Dionara Anjos destacou a importância desta formação dirigida aos profissionais de saúde na melhoria do atendimento porque, esclareceu, “o que falta não é sensibilização, mas sim conhecimento sobre a lei para apoiar as vítimas de VBG”.

“No final das formações, que temos realizado, os próprios profissionais reconhecem que havia coisas simples que não sabiam e que vão ser implementadas só pelo facto de conhecerem um disposto na lei de VBG”, afirmou a consultora.

Para Dionara Anjos, todos os sectores estão abertos para melhorar a implementação da lei de VBG, mas é necessária uma capacitação contínua para que mais pessoas possam conhecer a lei e aplicar o seu conteúdo.

Isto porque, justificou, não se consegue formar todos os profissionais ao mesmo tempo e também por causa da mobilidade de profissionais, que depois de receberem formação são transferidos para outros serviços.

CD/ZS

Inforpress/Fim

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