São Vicente: Houve uma acção propositada de boicotar saída de “Nos Ferry” – Vladmir Ferreira (c/áudio)

Mindelo, 11 Mar (Inforpress) – O sócio maioritário da companhia detentora do Navio “Nos Ferry Mar d’Canal” disse hoje que houve uma “acção propositada de manipular todas as instituições para abortar a viagem inaugural do navio na linha São Vicente – Santo Antão.

Vladimir Ferreira tinha garantido que a viagem inaugural do navio acontecia hoje às 15:00, com saída de São Vicente e regresso do Porto Novo às 20:00, mas o navio não chegou a zarpar do Porto Grande.

Segundo sócio maioritário da companhia, o Instituto Marítimo e Portuário (IMP)“boicotou” a saída do navio e “reteve todos os documentos”, solicitados desde o dia 09, apesar de terem prometido que seriam entregues hoje às 12 :30

“Falei com a Enapor e disseram-me que o IMP mandou-lhes bloquear o cais e não nos liberaram. Fomos ter com o capitão dos portos e entreguei toda a documentação necessária, fomos ter com a direcção de segurança do IMP e fizemos tudo o que era necessário. O navio está certificado e com todos os documentos em dia e o IMP bloqueou. Não nos disseram nada e retiveram os documentos que deveriam nos dar no máximo em 24 horas”, denunciou.

Vladmir Ferreira garantiu que “o navio tem o certificado de navegabilidade e a tripulação”, mas pediu ao IMP para “autorizar que três tripulantes assumissem uma função superior, porque não há tripulação suficiente em Cabo Verde”.

O responsável explicou que se trata de uma “situação normal”, inclusive, lembrou que esses tripulantes foram autorizados a trabalhar, antes na CV Interilhas e noutros navios pelo IMP.

“Quando saí da direcção do IMP encontrei o técnico da área de assuntos de tripulação que me disse que o parecer foi positivo e que só precisava das cédulas”, revelou a mesma fonte.

Conforme Vladmir Ferreira, deslocou-se depois à Capitania dos Portos, que pertence ao Ministério do Mar, pedir o desembaraço, apresentando os documentos exigidos e a capitania deveria dar a resposta às 12h30, o que não aconteceu.

“Houve uma acção propositada de manipular todas as instituições para não nos deixar sair. Ou seja, de boicotar a saída do navio. A capitania não explicou porque é que não desembaraçaram o navio”, reforçou, defendendo que “o IMP não tem nada a ver com a questão de licença, porque “tem competência apenas para emitir o certificado de navegabilidade do navio e da tripulação”.

Segundo o mesmo, “quem deve emitir a licença é um órgão que foi criado, mas que não existe, que é a Direcção Nacional de Políticas do Mar”.

“Não existe porque o capitão dos portos disse que não sabe onde fica e quem é o responsável. No ministério também nos disseram que não sabem quem é e onde fica, a diretora-geral de Segurança Marítima também não sabe. Onde é que vamos pedir então”, questionou.

No entanto, para Vladmir Ferreira, “não há necessidade de pedir licença”, porque “a portaria número 28/2020 informa que “as companhias actualmente inscritas são consideradas com licença temporária”.

“Se teríamos de pedir licença, a lei tinha de dizer, mas diz consideram-se temporariamente licenciadas. Pelo que não temos de pedir”, alegou, sustentando que levou o navio à Cabnave, já fez o melhor possível e tudo o que tinha que fazer”.

Questionado se chegou a vender passagens, Vladimir Ferreira revelou que quando viu a intenção das autoridades “suspendeu a venda” e decidiu por uma viagem inaugural em que as pessoas pudessem ir de borla à Santo Antão.

Questionado ainda sobre quando é que o navio irá finalmente iniciar as viagens, Vladmir Ferreira disse que o “barco estará na linha, quando as autoridades quiserem”, mas adiantou que já solicitou uma reunião com o ministro do Mar, que neste momento está ausente de São Vicente

CD/JMV
Inforpress/Fim

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