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São Vicente: Fotógrafo abre estúdio/galeria inspirado no trabalho do maliano Malick Sibidé

*** Por Américo Antunes, da Agência Inforpress ***

Mindelo, 16 Set (Inforpress) – O fotógrafo luso-cabo-verdiano João Barbosa, radicado há mais de 20 anos em Cabo Verde, abriu recentemente, no centro do Mindelo, um projecto estúdio/galeria, inspirado no trabalho do mesmo teor do também fotógrafo maliano Malick Sibidé.

À Inforpress, Barbosa elucidou que o projecto, de carácter temporário, tipo “work in progress”, nasceu quando conheceu, há poucos meses, no Mindelo, Igo Diarra, dono de uma “importante galeria de arte” em Bamaco (Mali), e curador artístico do projecto Mansa Musa Floating Hub, do empresário maliano Samba Bathily, sediado em São Vicente.

“Por coincidência, no evento da inauguração do estúdio flutuante, ele viu-me com as câmaras fotográficas e perguntou-me que tipo de fotografia faço, disse-lhe que em hoje dia, como sabemos, a fotografia está um bocado nas ruas da amargura, em termos comerciais, mas que já fiz muito trabalho de reportagem artística e outros”, contou.

Na sequência, João Barbosa mostrou ao seu interlocutor as fotos de uma exposição que promoveu em 2004, sobre Identidade do Povo Cabo-verdiano, designado ‘Crioulos Flutuantes’, para o encerramento do evento “Mindelo – Capital Lusófona da Cultura”.

“Ele ficou impressionado com a ideia, porque foi uma exposição muito original, principalmente porque se tratou de uma instalação de fotografias em caixas de luz flutuantes, na baía do Mindelo”, continuou João Barbosa, precisando que a partir desse momento começou a trabalhar novamente no projecto, mas, devido à sua complexidade “está a ir devagarinho”, mas surgirá “no seu devido tempo”.

Entretanto, surgiu este outro projecto, também na linha dos retratos e e da identidade, que é inspirado na estética do fotógrafo maliano Malick Sibidé, considerado “um dos grandes fotógrafos africanos e mundiais de todos os tempos”, vencedor do Leão de Ouro, em Veneza, e vários prémios de renome.

“Sibidé tem um trabalho fantástico de retratos de estúdio, e não só, pois ele viveu aquele momento muito emocionante das independências africanas, pelas festas à noite, nos concertos e tem um espólio enorme”, contou João Barbosa, que, quando participou na Bienal da Fotografia Africana, em Bamaco, teve a oportunidade de ver o trabalho do Malick Sibidé e visitar o estúdio dele, de cujo trabalho diz ser admirador.

Por coincidência, assinala a mesma fonte, a Galeria Medina e seu curador Igo Diarra estão ambos na mesma rua de Bamaco, a Boulevard de la Liberté

E como em São Vicente existia esse tipo de fotografia, através do Papim Melo, do Djibla e de outros, João Barbosa e Igo Diarra pensaram num projecto de estúdio/galeria inspirado no estúdio e no trabalho de Malick Sibidé, que são “muito icónicos, com o chão em xadrez” e algumas peças que ele usava, como motas, rádios receptores, gira-discos, câmaras antigas, peças tradicionais e muitas outras.

Por isso, por estes dias, quem passar pela zona do empreendimento Ponte d’Água, na baixa do Mindelo, vai deparar-se com um espaço apinhado de objectos “vintage”, entre eles motas e rádios antigos, câmaras de foto, peças de vários artistas africanos, como pintores do Mali e do Senegal, também fotografias e pinturas de Cabo Verde, vinil, capas de discos e livros, muitos livros, porque, no fundo, sintetizou o fotógrafo, “o livro é o recipiente maior para gravar tudo o que é cultura e arte”.

Ou seja, pontificou Barbosa, as peças como motas, rádios receptores, gira-discos, câmaras antigas e peças tradicionais funcionam como acessórios para os retratos que faz às pessoas que diariamente passam pelo local, “como fazia Malick Sibidé”, para acrescentar algo a uma fotografia, e, às vezes, pode representar “um bocado do que aquela pessoa faz na vida, qual a sua profissão, o seu talento ou o hobby”.

Este estúdio do Mindelo, continuou, é temporário mas a ideia é uma continuidade, ou seja, a seguir as fotografias tiradas neste estúdio/galeria vão começar a ser trabalhadas para uma exposição em Bamaco, na Bienal Africana da Fotografia e, possivelmente, será ainda produzida uma publicação.

“No Mindelo, faremos uma exposição, não sabemos quando, mas há de ser possivelmente para o ano, e pode ser uma continuidade da bienal de Bamaco”, referiu João Barbosa.

“Tem sido muito interessante como experiência, porque assim continuo naquela linha da identidade do povo cabo-verdiano, neste caso das pessoas do Mindelo e não só”, continuou, porque o mindelense “é curioso e gosta de novidades”.

Portanto, sintetizou, a ideia é criar “um certo ambiente de galeria”, porque no futuro uma das ideias de Igo Diarra é montar uma galeria em São Vicente.

João Barbosa é originalmente fotógrafo de surf e desportos náuticos, nasceu em Lisboa, mas sempre teve “uma ligação forte” à cultura africana, e principalmente à cabo-verdiana, através da música e “alguns laços familiares afastados, do lado dos barbosas”.

Por curiosidade e pelo surf veio parar a Cabo Verde, em 1997, fazer um filme de surf com portugueses e brasileiros e disse ter reparado que os jovens locais estavam com “um grande interesse”, e que ficou logo “apaixonado pela vivência e cultura cabo-verdianas”.

Mas foi em 1999 que veio, de barco à vela, da ilha do Sal, “assentar ferro no Mindelo”, justamente na transição do milénio, com “um ambiente fantástico”, e cá está há mais de 20 anos, inicialmente a trabalhar na fotografia de surf e desportos náuticos e a conhecer as “incríveis ondas” de Cabo Verde,

Viajou pelas ilhas, fez fotojornalismo, sempre bastante ligado à música, tentando levar a vida “assim descontra”, e de “uma maneira alegre”, convivendo “com esta cultura e com este povo” que, em geral, tem “muito para oferecer”, como declarou.

Já teve um bar no Mindelo, fez programas de rádio e televisão, foi editor de fotografia da revista cultura jovem ‘Dá Fala’, enfim, “muita coisa no mundo da cultura, sempre a partilhar”.

“Ah, é verdade, constitui família e tenho um filho que se chama … Malick, em homenagem a um amigo surfista das Ilhas do Thaiti e também do grande fotógrafo Malick Sibidé”, finalizou João Barbosa.

AA/JMV

Inforpress/Fim

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