São Vicente: “Escrever sobre a morna é sempre uma responsabilidade” – Vasco Martins

Mindelo, 27 Set (Inforpress) – O escritor e artista Vasco Martinsa apresentou hoje, no Mindelo, o seu mais recente livro “Cabo Verde Ressonâncias, volume I”, dedicado à morna, um estilo musical sobre o qual escrever requer “sempre responsabilidade”, como assinalou o autor.

Na verdade, como explicou Vasco Martins, esta nova obra apresenta-se como “uma espécie de continuação” dos seus primeiros “estudos musicológicos” sobre a música cabo-verdiana, que foram publicados, em 1989, no livro “A música tradicional de Cabo Verde 1 – a morna”, que agora encontra-se “esgotado”.

Contudo, no caso do “Cabo Verde Ressonâncias, Vol.1”, não se fala, conforme a mesma fonte, da origem nem de outras facetas da morna, mas sim estuda a morna nos “acordes, melodia, ritmo e tons maiores e menores”, que foram colocados em pauta.

“Mas escrever sobre a morna é sempre uma responsabilidade, porque os cabo-verdianos se sentem estreitamente presos por ela, mesmo que de forma subtil”, salientou o escritor, para quem este estilo encontra-se “profundamente enraizada” no DNA do cabo-verdiano.

Para comprovar, Vasco Martins disse que se pode pedir a “um bom músico” cabo-verdiano para estudar um estilo estrangeiro  e “este aprende em pouco tempo”, mas, “o contrário já não acontece”, na medida em que a morna tem “um balanço muito singular e original”, garantiu.

Assim, no livro “Cabo Verde Ressonâncias, volume I (A morna, estudos adjutórios) debruça-se sobre o “cutâneo” deste estilo, desde do século XIX com B.Leza que, a seu ver, empregou “um certo ritmo” advindo do Tango.

Além da musicologia, esta obra de mais de cem páginas traz uma entrevista a António Aurélio Gonçalves que, segundo a mesma fonte, mostra-se “muito importante” para os estudiosos da morna e ainda uma “rapsódia” do disco “Sodade”, de Humbertona, que considerou ser “um dos melhores” discos instrumentais.

Por outro lado, ajuntou, pode-se encontrar “mornas inéditas”, como o “Eclipse de B.Léza” que foi transcrito para o piano.

O acto de lançamento do livro, no Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design, contou com a participação de Voginha, no violão, e do cantor Eugénio dos Santos, o conhecido Djên, que Vasco Martins classificou como a “continuação da catedral muito sui generis da morna”.

Vasco Martins é músico, compositor e escritor cabo-verdiano, residente em São Vicente, que no seu portfólio traz quatro livros de poesia e dois romances.

Esta mais recente obra tem a chancela da Livraria Pedro Cardoso que, segundo o autor, já se comprometeu a publicar os outros oitos volumes, mas nem todos dedicados à morna.

LN/AA

Inforpress/Fim

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