São Vicente: Emigrante promove manifestação para exigir “melhores serviços” nas instituições e “valorização de todas as ilhas”

Mindelo, 05 Ago (Inforpress)- Um grupo de pessoas, convocado pelo emigrante cabo-verdiano em Luxemburgo Odair Dias, protagonizou hoje uma manifestação na Praça Dom Luís, em São Vicente, para exigir melhores serviços das instituições e pedir a valorização de todas as ilhas do País.

Segundo Odair Dias, a iniciativa “manifestar por São Vicente” é uma luta de todos os que não se sentem insatisfeitos com a “má prestação dos serviços” em várias instituições na ilha, como nas alfândegas, nos bancos e na Câmara Municipal de São Vicente (CMSV) e também nos transportes aéreos e marítimos.

Conforme Odair Dias, tanto os emigrantes como a população residente “são obrigados a enfrentar longas filas para ter o próprio dinheiro que depositaram no banco”. Além das filas, acrescentou, sofrem com a “desorganização nas alfândegas sem que ninguém tome providência”, e ainda passam o mesmo problemão quando tentam tratar de algum documento na CMSV.

“É preciso que criem condições para que as pessoas possam entrar na Câmara Municipal de São Vicente na porta da frente e não na de trás, porque lá é nosso também”, criticou.

O emigrante também pediu que o Governo crie “condições e instituições físicas e estruturais” para “fazer as coisas acontecer em São Vicente”, porque a ilha “tem capacidades”.

“Enviei uma carta aberta ao presidente da câmara de São Vicente e ao ministro das Comunidades a dizer que a situação não está bem nas Alfândegas, em São Vicente e em Cabo Verde. Estão a roubar todo o nosso património histórico, cultural, intelectual e não é de agora”, explicou a mesma fonte que pediu uma “melhor partilha do Orçamento do Estado para as ilhas”, afirmou.

Apesar da pouca participação dos mindelenses, Odair Dias mostrou-se “satisfeito” com a sua iniciativa, realçando que este é apenas o início de uma luta que quer travar por São Vicente, porque a ilha precisa.

“Os meus objectivos estão longe de serem alcançados. São objectivos do povo de São Vicente, dos cabo-verdianos e temos um longo caminho para frente para ser alcançados”, frisou.

Entre as pessoas que se juntaram à manifestação estava Eneida Penha, residente na zona de Pedra Rolada, que se mostrou insatisfeita por não ter conseguido um terreno para construir habitação própria na sua zona.

“Participo nesta manifestação por causa das muitas desigualdades em São Vicente. E as injustiças não acontecem apenas com os emigrantes. Eu nasci, cresci e moro em Pedra Rolada, a zona tem muitos terrenos, eu pedi um terreno e deram-me terreno em Ribeira de Julião. Mas não vou colocar a minha casa de tambor na Ribeira de Julião, vou colocá-la na Pedra Rolada”, criticou.

Também a emigrante residente em Portugal Isabel Rocha se mostrou insatisfeita com os constrangimentos que sofreu nos transportes, ao fazer a viagem de Portugal até à ilha de São Vicente.

“Quero liberdade para todos. Na viagem que fiz para São Vicente, não tinha excesso de peso, mas prenderam a minha bagagem e disseram que tinha que pagar 100 euros por ela. Isto por causa de saquinho com um biscoito, que não tinha nada ilegal, e que era para que eu pudesse alimentar durante a viagem”, desabafou a emigrante.

CD/JMV
Inforpress/Fim

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